O Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) da Polícia Civil do Paraná se destaca como um dos mais eficientes grupos de atuação no Brasil. ''Desde a criação do departamento especializado, em 1996, 1500 crianças desapareceram. Apenas 11 não foram encontradas até hoje. Existem outras 11 que desapareceram antes de 96. São casos que consideramos desaparecimentos enigmáticos'', explica a delegada Ana Cláudia Machado, que já elucidou muitos casos, como o do bebê raptado no hospital em Apucarana, no ano passado.
A corrida contra o tempo, segundo a delegada, é fundametal para ampliar as chances de localização. ''É um mito que deve-se esperar 24 ou 48 horas para a realização do boletim de ocorrência. Quanto antes a família oficializar o desaparecimento, mais chances há de encontrar a criança'', diz, reforçando que o BO ainda é o instrumento principal para desencadear a investigação.
Como se tratam de crianças, poucos anos já são suficientes para uma mudança física considerável. ''Por meio de um programa de projeção digital conseguimos nos aproximar da imagem que a criança teria atualmente'', explica Ana Cláudia, ressaltando que o site do Sicride tem fotos das crianças desaparecidas.
Apesar da mobilização da polícia, a localização, na grande maioria da vezes, é feita pela própria família do desaparecido. ''A ajuda de uma instituição vai desde o apoio de outras famílias na mesma situação, bem como a orientação para as buscas. Já ajudamos a encontrar inúmeras crianças que estavam em outros estados. O cadastro auxiliaria justamente nessa situação, quando a criança acaba em outro estado'', lembra Ivanize, fundadora da ABCD.
Já a procura por adolescentes e adultos é feita por delegacias comuns. O Paraná conta com a Delegacia de Capturas, em Curitiba, que atua na capital e região metropolitana, e dá suporte para o Interior.
Desaparecidos e indigentes
A Polícia Civil e o Instituto Médico Legal (IML) discutem a implantação do Sistema Centralizado de Pessoas Desaparecidas para facilitar a identificação de cadáveres. É uma espécie de banco de dados de corpos não identificados que possibilitaria o reconhecimento com mais segurança e rapidez.
Motivos
Casos amorosos e/ou diferenças familiares são os motivos que lideram as causas de desaparecimento, sobretudo de meninas adolescentes, em Londrina. Na 10 Subdivisão Policial, de cada 20 casos mensais, 15 deles se enquadram nesse perfil. Segundo o delegado-adjunto, Manoel Pelisson, na última semana foram registrados 15 desaparecimentos, mas só três, ocorridos há mais de três meses, estão em aberto. (M.T.)

mockup