Curitiba - A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) encaminhou ontem ao Ministério da Educação (MEC) uma lista das 90 instituições de ensino superior do País que tiveram estudantes de Direito participando da última edição do Exame de Ordem sem que nenhum fosse aprovado após as duas fases do teste.
A OAB quer que essas 90 faculdades com índice zero no Exame de Ordem sejam supervisionadas pelo MEC, de forma que, se não cumprirem metas estabelecidas pelo ministério, sejam penalizadas com redução de vagas, suspensão do curso de Direito ou até o fechamento da graduação. A lista completa com os nomes das 90 instituições de ensino pode ser acessada no site www.oab.org.br.
Dez dessas faculdades têm sede no Paraná: duas em Curitiba, duas em Foz do Iguaçu e uma em Londrina, Marechal Cândido Rondon, Pato Branco, Cornélio Procópio, Ivaiporã e Araucária. Todas são particulares. Das instituições paranaenses com índice zero no último Exame de Ordem, uma das faculdades de Foz do Iguaçu foi a que teve mais estudantes inscritos na prova, 32 ao todo. Apenas cinco conseguiram passar para a segunda fase do exame, etapa em que não foram aprovados.
''Não dá para dizer se (o índice das instituições paranaenses) está alto, baixo ou na média nacional. O que eu acho absurdo é um curso não conseguir formar nenhum bacharel de Direito capaz de passar no Exame de Ordem'', critica o presidente da Comissão de Ensino Jurídico da OAB do Paraná, Eroulths Cortiano Júnior.
Ao todo, alunos de 610 faculdades brasileiras fizeram o último exame. De acordo com o Conselho Federal da OAB, aproximadamente 90% dos candidatos não foram aprovados.
Cortiano aponta que a reprovação massiva no Exame de Ordem é resultado da banalização dos cursos de Direito, ofertados em excesso e sem a qualidade em muitos casos. ''Para se ter uma ideia, 43 novos cursos de Direito foram criados em todo o País no último mês. A OAB faz uma análise das condições de funcionamento e da necessidade social de cada curso novo. Desses 43, apenas um foi avalizado pela Ordem. O caminho é diminuir o número de cursos e brigar pela qualificação dos que ficarem. O MEC deve supervisionar a qualidade dessas instituições'', diz Cortiano.

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