O transporte de medicamentos, cigarros e mercadorias fracionadas (como peças e eletrodomésticos) está suspenso no Paraná desde que começou a greve dos caminhoneiros. Orientadas pelas seguradoras e empresas de gerenciamento de riscos, as transportadoras estão evitando pegar estes produtos, já que em caso de depredação pelos grevistas, as seguradoras não irão pagar as cargas.
A situação não se limita apenas a estas mercadorias, mas também aos produtos perecíveis. A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) pediu a proteção da polícia para escoltar os caminhões que saem carregados com mercadorias. O presidente da entidade, João Paulo Koslowski enviou documento pedindo a interferência da polícia, ontem, ao ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, e ao governador Jaime Lerner.
Koslowski justifica que a greve dos caminhoneiros está sendo reforçada pela decisão das indústrias em não enviar as mercadorias para o destino final. Tanto as empresas como as transportadoras estão temendo depredação dos veículos ou a deterioração das cargas, situações que não são cobertas pelas empresas seguradoras. ‘‘Daí a preocupação porque o prejuízo recai sobre as empresas que contratam os fretes’’, destacou.
Ontem, por falta de frangos, a Sadia interrompeu o abate na unidade de Toledo. Koslovski disse que a maior preocupação é com o trânsito de cargas perecíveis como aves e suínos. Segundo ele, as cooperativas que abatem frango estão trabalhando parcialmente porque a capacidade de estocagem está toda ocupada e não tem mais onde colocar a produção.
Outro prejuízo que está preocupando a Ocepar é o atraso nos embarques de farelo de soja no porto de Paranaguá. Segundo Koslovski, os armazéns das cooperativas estão abarrotados de soja e farelo que não estão sendo escoados para o porto, por falta de garantia de proteção no trânsito. Ontem, conseguiram chegar ao porto de Paranaguá cerca de 50 caminhões.
O diretor-técnico do porto, Luiz Ivan Vasconcellos, disse que a capacidade de armazenagem é de 1,2 milhão de toneladas, mas apenas a metade está ocupada com grão. Ele prevê o agravamento da situação a partir de terça-feira, quando devem chegar mais navios para carregar soja e farelo e os estoques de farelo existentes não deverão atender a capacidade do navio. O prejuízo nesse caso são multas elevadas que serão pagas pelas empresas exportadoras, no caso as cooperativas, disse Koslovski.
Segundo o vice-presidente da Setcepar, Adão Flores, a entidade vem orientando as transportadoras a ter cautela ao expedir os fretes. Isso, porque em determinados casos, o ganho do frete representa no máximo 2% do valor da carga transportada. Flores não tem um levantamento de quanto as transportadoras podem estar perdendo com esta paralisação. (Colaborou Vânia Casado)

mockup