PR registra aumento de transplantes
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quinta-feira, 15 de abril de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O número total de transplantes de órgãos e tecidos no Paraná aumentou em 7,6% entre 2002 e 2003. No ano passado, foram realizados 1.260 procedimentos contra 1.170 em 2002. Só nos dois primeiros meses deste ano, foram realizados 106 transplantes no Estado. Os números são da Central de Transplantes do Paraná, órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde.
Dados do Ministério da Saúde relativos somente aos procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mostram que o Paraná é o quinto estado brasileiro em número de transplantes. Contudo, pelo SUS houve um decréscimo de 3,6% no número de órgãos e tecidos transplantados no Estado: passou de 652 em 2002 para 628 no ano passado.
A coordenadora da Central de Transplantes do Paraná, Arlene Terezinha Cagol Garcia Badock, diz que o Estado é uma das referências nacionais em transplantes e que cada vez mais recebe pacientes de outros locais do País. Quanto à diminuição no número de transplantes realizados pelo SUS, Arlene explica que transplantes como de coração e de fígado são feitos somente pelo SUS porque são muitos caros. E, segundo ela, em 2003 os aviões que buscam os órgãos em outras cidades passaram quase todo o ano em manutenção. Como esses são órgãos que aguentam pouco tempo fora do corpo humano, muitos não puderam ser aproveitados por falta de transporte.
A expectativa para 2004, segundo Arlene, é que o Paraná aumente em 5% o número total de transplantes. Porém, esse índice ainda é pouco para diminuir a fila de pacientes. A lista dos que precisam de um órgão hoje no Paraná está com cerca de 3,7 mil pessoas. A maioria delas esperando um rim (cerca de 2 mil), seguido por córnea (cerca de 900) e por fígado (cerca de 450 pessoas). Aproximadamente de 70 pessoas esperam por um coração hoje no Paraná. Pode parecer uma contradição o rim ocupar o topo da lista, já que é um órgão que pode ser doado por uma pessoa viva. Mas Arlene explica que os critérios de compatibilidade são muito rígidos, dificultando a procura.
Quanto ao critério de recebimento do órgão, seja pelo SUS, seja particular, não há diferenciação para quem está na lista. Ganha o órgão quem estiver esperando há mais tempo e se enquadrar nos critérios de compatibilidade. Isso a não ser quando o doador opta por dar o órgão a alguém.
Arlene diz que é preciso intensificar as campanhas de incentivo à doação. Isso porque é necessário a autorização da família, em consenso total, depois da pessoa morta. Ou seja: mesmo que o morto tenha deixado um documento se declarando doador, quem dá a palavra final é a família. ''Vamos intensificar campanhas que incentivem a pessoa a manifestar claramente sua vontade à família'', diz.
O assunto está sendo debatido em Brasília, que sedia o Fórum Nacional de Transplantes. No final do mês, evento semelhante deve acontecer em Curitiba. Em junho, eventos menores vão tratar do problema dos transplantes em Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu.


