Entre janeiro e maio deste ano a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou 42% das apreensões de maconha de todo o Brasil no Paraná. Ao todo foram apreendidos 4.660 quilos da droga. Isso é mais do que o dobro apreendido em Mato Grosso do Sul - 2.026 quilos - que ficou em segundo lugar, com 18% das apreensões. A quantidade apreendida no Paraná neste ano supera a soma de vários outros estados (veja nesta página).
  No mesmo período no ano anterior, entre janeiro e maio, o Mato Grosso do Sul liderava as estatísticas, com 52% das apreensões de maconha de todo o Brasil. Nas estradas federais do Estado vizinho haviam sido apreendidos 6.157 kg, contra 3.122 kg no Paraná -27% do total.
  Porém, ao final do ano passado o Paraná superou o Mato Grosso do Sul e respondeu por mais da metade da maconha apreendida pela PRF no País, com 58%, o equivalente a 52.302 kg. Mato Grosso do Sul registrou 35% das apreensões (31.390 kg) e São Paulo foi responsável por 2% da maconha que a PRF descobriu nas rodovias em que atua (1.991 kg).
  O inspetor Wilson Martinez, da PRF, afirma que a maconha passa pelo Paraná devido à sua proximidade com o Paraguai. Segundo ele, como as apreensões no Mato Grosso do Sul se tornaram frequentes, os traficantes passaram a utilizar rotas alternativas. ‘‘Eles se acostumaram a passar por rotas que não fiscalizávamos, mas recentemente a ação em algumas rodovias que era feita pela Polícia Rodoviária Estadual passou a ser realizada pela Polícia Rodoviária Federal, aumentado nossos números em território paranaense’’, conta.
  Além disso, o policial argumenta que o Paraná aumentou o número de apreensões porque melhorou a qualificação de seu quadro. ‘‘Atribuo 50% desse aumento à melhor preparação do policial e os outros 50% à tecnologia do serviço de inteligência’’, diz o inspetor. ‘‘O bandido muda o modo de agir à medida que são realizadas grandes apreensões e agora realiza o transporte de drogas de maneira fracionada’’, completa.
  Quase todos os dias são realizadas prisões de traficantes que utilizam ônibus, caminhões e outros tipos de transporte. Para combater isso, o oficial da PRF explica que a equipe da PRF paranaense conta com o apoio de cães farejadores que identificam a droga mesmo em meio a cargas que supostamente atrapalhariam o faro dos animais. ‘‘Muitas vezes eles utilizam disfarces como cargas de esterco, cebolas, feijão, arroz e até de vidros para a reciclagem’’, revela.
  Pessoalmente o inspetor Martinez acredita que a maconha ainda possua grande popularidade pela inversão de valores que a sociedade tem apresentado por influência da mídia. ‘‘Hoje tudo é banal e não existe um controle sobre o que é mostrado na televisão’’, opina. Ele diz que aquele que não fuma ou cheira em determinados grupos é malvisto pelos demais. ‘‘Na minha época, se alguém falasse que era maconheiro ou fosse visto com alguém que consumisse a droga passaria a ser discriminado’’, relembra.

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