Curitiba - O governo estadual e o Ministério da Saúde estão investindo na descentralização do atendimento ao doente mental e trocando os serviços de internamento em hospitais psiquiátricos pela prevenção. O Paraná possui dez Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) para pacientes com distúrbios mentais e terá mais dez até o final do ano. Serão criados também outros sete CAPs especiais para os dependentes de álcool e drogas.
O Paraná destina R$ 51 milhões por ano para programas de saúde mental, equivalente a 12% do total destinado à Saúde. De acordo com a coordenadora do programa estadual de saúde mental, Maria Cristina Roorda, aos poucos os CAPS vão utilizar todos esses recursos, já que devem substituir os hospitais psiquiátricos. ''A pessoa não precisa ficar três meses internada. Quando tiver um surto, basta procurar um leito psiquiátrico'', observou. Ela disse que os hospitais gerais podem abrigar esses leitos.
Existem 20 hospitais especializados e 4.355 leitos psiquiátricos no Estado. Os CAPs para dependentes químicos serão implantados em Londrina, Curitiba, Foz do Iguaçu, Maringá, Cascavel, São José dos Pinhais e Ponta Grossa. O Ministério da Saúde destinará R$ 50 mil para cada município iniciar o projeto e os repasses seguintes dependerão do atendimento oferecido.
O atendimento ao paciente mental foi tema do seminário Avançando na Proposta Extra Hospitalar, realizado ontem em Curitiba. ''Acreditava-se que só hospitais poderiam resolver a saúde mental. Hoje se sabe que não é um problema só médico'', avaliou Maria Cristina. Segundo ela, é preciso que os municípios desenvolvam projetos alternativos, para manter os doentes próximos ao ambiente familiar.
De acordo com o coordenador da área técnica de saúde mental do ministério, Pedro Gabriel Delgado, o principal problema na área é a falta de pessoal qualificado. ''O ministério, em cooperação com universidades, oferece esse tipo de qualificação'', disse. O Paraná ainda não tem nenhum convênio desse tipo.
O presidente da Associação dos Amigos e Familiares de Doentes Mentais do Brasil (AFDM), Zedir Macedo, afirmou que o Ministério da Saúde está fechando leitos psiquiátricos sem critério. ''Estão colocando em risco pacientes que precisam de internamento'', criticou. Para ele, o Brasil poderá vivenciar o que ocorreu em alguns países que adotaram práticas semelhantes, nos quais há mais doentes mentais na cadeia do que em tratamento.

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