São Paulo- As florestas de araucária, árvore-símbolo do Paraná, estão prestes a desaparecer do mapa do Estado. Pelas previsões do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o bioma poderá ser extinto em apenas dois anos, caso o ritmo de desmatamento não seja imediatamente revertido. Dos mais de 8 milhões de hectares de cobertura florestal original do Estado, restam apenas 66 mil hectares (0,8%) de mata de araucária nativa, segundo dados de 2001. E de lá para cá, acredita-se que a situação tenha se deteriorado ainda mais.
''Podemos dizer que a lâmpada vermelha foi acionada'', diz o superintendente do Ibama no Paraná, Marino Elígio Gonçalves. ''É uma situação lamentável que a floresta que já foi predominante no Estado hoje está reduzida a menos de 1% da sua cobertura.''
Ao longo das últimas décadas, o bioma foi progressivamente ocupado pela agricultura e pelo plantio de espécies exóticas usadas na indústria de celulose e papel. ''Até brincamos que a araucária na bandeira do Estado deveria ser substituída por uma folha de soja ou pinus'', diz o engenheiro agrônomo Paulo Roberto Castella, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. ''A situação é muito grave.''
A araucária ocorre também nos outros Estados do Sul e no Sudeste, mas está (ou estava) concentrada principalmente no Paraná. Os dados de 2001 sobre área remanescente foram levantados pelo Programa para Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade (Probio), do Ministério do Meio Ambiente (MMA), com participação de especialistas da Universidade Federal do Paraná. O 0,8% restante corresponde apenas às áreas de floresta de araucária em estágio de desenvolvimento avançado - ou seja, com toda sua biodiversidade original preservada. Exclui as áreas alteradas, em estágio inicial ou intermediário, onde o bioma já foi descaracterizado.
Informado do prognóstico do Ibama sobre o risco de extinção do bioma nos próximos dois anos, o secretário do Meio Ambiente Luis Eduardo Cheida reagiu: ''É uma declaração leviana. Quem afirmar isso está cometendo uma irresponsabilidade muito grande''. Cheida atesta que a situação é preocupante, mas aponta para uma reversão do quadro de desmatamento.

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