Brasília, DF- O Ministro da Saúde, Humberto Costa, anunciou ontem o início do maior estudo com células-tronco adultas para tratamento de doenças do coração já realizado no mundo - chamado Estudo Multicêntrico Randomizado de Terapia Celular em Cardiopatias. A pesquisa envolverá grupos de portadores de quatro diferentes doenças: infarto agudo do miocárdio, doença isquêmica crônica do coração, cardiomiopatia dilatada e cardiopatia chagásica e será patrocinada pelo Ministério da Saúde.
Seis instituições paranaenses participam do estudo como Centros Colaboradores: Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, Hospital das Clínicas da UFPR, PUC - Curitiba, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Hospital Cardiológico Constantini e Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná.
O projeto que o Brasil desenvolve é único no mundo, pela quantidade de casos avaliados e comparados (1.200 pacientes participarão do estudo) e pelo número de instituições envolvidas (em torno de 40, de todo o território nacional). O objetivo do trabalho é comprovar os resultados já obtidos em pesquisas isoladas e verificar a viabilidade da substituição dos tratamentos cardíacos tradicionais (inclusive o transplante de coração) pela terapia com células-tronco.
As pesquisas na área da terapia celular em cardiologia têm sido aplicadas em um número muito pequeno de pacientes e, em geral, por instituições isoladas. O estudo para a solução da doença de Chagas desenvolvida no País é inédito em todo o mundo. Todo esse trabalho consolida a posição de destaque que o Brasil conquistou na área.
Os protocolos, já aprovados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), devem ser concluídos em até três anos. O custo total do projeto está estimado em R$ 13 milhões (custeados pelo Ministério da Saúde). Os 1.200 pacientes avaliados serão divididos em grupos, com 300 cada, de acordo com o tipo de doença. Em cada um dos grupos, a metade receberá o tratamento tradicional e a outra parcela será submetida à terapia celular. Neste caso, cada paciente receberá células-tronco de sua própria medula óssea. A outra metade receberá o tratamento tradicional, com os melhores recursos farmacológicos ou cirúrgicos disponíveis.
Comprovada a eficácia da terapia celular, o Ministério da Saúde terá dado um passo importante para a implementação do tratamento em todo o Sistema Único de Saúde (SUS), aumentando as chances de cura para milhões de pessoas. Ao mesmo tempo, a terapia celular proporcionará significativa economia de recursos financeiros para o SUS. Considerando consultas, internações, cirurgias e transplantes cardíacos, o sistema gastou, em 2003, cerca de R$ 500 milhões.

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