Curitiba - O Paraná tem 56 cidades com casos de exploração comercial infanto-juvenil. É o que aponta o relatório da Comissão Intersetorial de Enfrentamento ao Abuso à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, apresentado ontem pela manhã pelo ministro Nilmário Miranda, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), em parceria com o Unicef e a Universidade de Brasília. No total 937 municípios brasileiros apresentaram o problema, com 298 cidades (31,8%) no Nordeste, 241 (25,7%) no Sudeste, 162 (17,3%) no Sul, 127 (13,6%) no Centro-Oeste e 109 (11,6%) no Norte do País.
A pesquisa tem o objetivo mapear e descobrir o que tem sido feito para tentar diminuir o número de casos no País. A expectativa do SEDH é que os Estados e municípios encontrem, através do levantamento, novas formas de ampliar e intensificar ações de combate à exploração sexual infanto-juvenil em cada região. O levantamento foi feito através de dados já coletados anteriormente, juntamente com informações do Disque-Denúncia e de investigações feitas por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista.
O Paraná apresentou um número elevado de casos (56), até mesmo superior ao Rio de Janeiro (33), que recebe mais turistas e, teoricamente, seria um Estado mais suscetível à exploração sexual de crianças e adolescentes. De acordo com a coordenadora nacional da Comissão Intersetorial de Enfrentamento ao Abuso à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, Elizabeth Leitão, os dados não revelam que o Paraná tenha, exatamente, mais casos que o Rio. ''O Sul tem uma cultura mais consciente, as pessoas têm mais consciência de que a exploração sexual é crime e fazem mais denúncias com mais eficiência. Por outro lado, em outras regiões do Brasil, ocorre subnotificação'', explicou.
Cinco ministérios do governo brasileiro atualmente comandam 13 programas relacionados ao assunto. Outras 1622 organizações também auxiliam no combate da exploração sexual, sendo que 1375 atendem crianças e adolescentes, 150 orientam mulheres adultas e 97 fazem trabalho junto às comunidades. ''As parcerias são extremamente importantes e necessárias para que as crianças sejam levadas às escolas e projetos que as tirem das ruas. Na Tríplice Fronteira do Paraná, assumimos um financiamento de R$ 640 mil que antes era da OIT/IPEC (Organização Internacional do Trabalho)'', explicou Elizabeth.
Apesar do esforço para impedir o aumento de casos, o trabalho das entidades esbarra na falta de ação da comunidade. ''A subnotificação é muito grande em várias regiões'', apontou Elizabeth.

Serviço: O Disk-Denúncia no Paraná funciona no número 0800-990500.

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