PR investiga mais três mortes por dengue
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - O Paraná registrou 2.203 casos de dengue de agosto de 2015 a 19 de janeiro de 2016. Destes, 2.072 são autóctones (contraídos no próprio Estado) e 131 importados. O boletim atualizado, divulgado ontem pela Secretaria da Saúde (Sesa), mostrou 247 novas situações em relação à semana passada. A pasta também investiga outras três mortes, em Paranaguá (1) e Foz do Iguaçu (2), além das duas confirmadas até agora. Os dois primeiros óbitos em decorrência da doença ocorreram na cidade litorânea, que segue como a recordista no número de confirmações: 614.
Técnicos da Sesa estão analisando os prontuários médicos e pesquisando a história clínica de cada paciente. "É preciso ainda aguardar o resultado de exames laboratoriais complementares", diz o boletim. A exemplo de Paranaguá, outras seis cidades também enfrentam uma epidemia. Mamborê (56), Cambará (93), Munhoz de Mello (43), Santa Isabel do Ivaí (35), Itambaracá (25) e Guaraci (19) ultrapassaram a taxa de 300 para cada 100 mil habitantes, conforme classificação do Ministério da Saúde (MS). A média do Estado é de 18,84 registros por 100 mil habitantes.
Dos 399 municípios paranaenses, 308 já apresentam notificações de dengue - até a semana passada, eram 304. Em 17 Regionais de Saúde (77,3%) há transmissão autóctone. Se considerarmos os dados absolutos, independentemente do critério populacional, as cidades mais atingidas são, na sequência, Paranaguá (561), Londrina (290), e Foz do Iguaçu (290). Quanto à distribuição etária, 52,2% dos registros concentraram-se entre 20 a 49 anos e 19,9%, na faixa de 10 a 19 anos. A Sesa está averiguando, no total, 19.242 casos suspeitos.
As autoridades de saúde alertam para a importância do diagnóstico e tratamento precoce dos pacientes com suspeita da doença. Segundo o infectologista Enéas Cordeiro, da Sesa, a população deve ficar atenta aos sintomas característicos, como febre, dor de cabeça, dor articular, dor muscular, dor atrás dos olhos e mal-estar geral. "A recomendação é que a pessoa não se automedique em hipótese alguma. Analgésicos, por exemplo, podem aliviar a dor e dar a sensação de cura, mas na realidade só mascaram a situação, pois o vírus continua atuando e o quadro pode se agravar ainda mais", explicou.
O uso de anti-inflamatórios também é contraindicado, pois pode causar hemorragia digestiva. De acordo com o médico, quando o paciente apresenta dor abdominal intensa, vômito persistente (de quatro a seis episódios em um período de seis horas) ou tontura por queda de pressão, o cuidado precisa ser redobrado. O protocolo da secretaria prevê, ainda, o acompanhamento especial em suspeitas envolvendo crianças menores de 5 anos, adultos com mais de 65, gestantes e doentes crônicos. Integrantes deste grupo prioritário devem ser avaliados diariamente por um período de três a quatro dias. Já quem não se encaixa nessas condições é orientado a retornar ao serviço de saúde imediatamente após o desaparecimento da febre.


