Londrina - O número de doadores de órgãos no Paraná está abaixo da média nacional e representa a metade da quantidade registrada em São Paulo, que é o Estado campeão no País. Dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) mostram que entre os paranaenses a cifra foi de oito doadores por milhão de habitantes (ppm).
O número do Estado fica abaixo, por exemplo, de São Paulo (21), Santa Catarina (17) e Rio Grande do Sul (13). A média do País é de 9,9 doadores por milhão. Como base de comparação, a Espanha, que é referência mundial em transplantes de órgãos, atinge a média de 35 doações por milhão de pessoas. ''O povo espanhol não é mais generoso do que o brasileiro. O que acontece é que o sistema e os profissionais são mais eficientes'', afirma Joel Andrade, diretor da ABTO.
Se a conscientização fosse maior, o sofrimento dos pacientes que estão na fila de espera por órgãos cairia consideravelmente. Segundo a ABTO, 24% dos familiares de vítimas de morte encefálica no Paraná não permitem a doação. Quem consegue, por outro lado, agradece pela sorte e principalmente pela consciência de quem permite o aproveitamento dos órgãos.
É o caso do barman Paulo Henrique de Souza, que hoje enxerga bem graças a um transplante de córnea. ''Sofria com ceratocone, uma doença que com o tempo vai anulando a visão. Quando fiz a cirurgia já estava com mais de oito graus de miopia'', lembra
Antes de entrar para lista de espera pela doação de órgãos, Souza usou lentes e óculos, mas vivia sofrendo com dores de cabeça. E após sete meses de espera, em maio ele foi submetido ao transplante.
Para que histórias semelhantes à de Souza tenham o mesmo fim, médicos, enfermeiros e outros profissionais envolvidos no processo de transplantes em hospitais da região participaram ontem do curso de Formação de Coordenadores Hospitalares de Transplantes. De acordo com Joel Andrade, um dos principais obstáculos para diminuir a lista de 70 mil brasileiros que esperam por órgãos é a falta de trabalhadores capacitados para identificar potenciais doadores e administrar o processo de doação.
Segundo ele, anualmente no Brasil aproximadamente 50 pessoas a cada grupo de 1 milhão têm morte encefálica. ''O ano de 2010 foi o primeiro em que o País conseguiu identificar e protocolar mais da metade desse número a fim de terem seus órgãos doados'', afirmou. Segundo o diretor, em média 30% dos pedidos de doação são negados por familiares. ''Até o ano passado num grupo de mil possíveis doadores, menos de 500 eram identificados por profissionais da sa© úde e desse número 30% eram negados. Agora imagina se os mil fossem protocolados. Mesmo se houvesse 300 negativas, sobrariam 700 doadores'', destacou.
Hoje existem 3.313 paranaenses na lista de espera por órgãos. No ano passado 1.204 transplantes foram realizados no Paraná. E o barman Paulo Henrique Souza faz questão de não esconder a felicidade por fazer parte dessa estatística.

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