PR enfrenta 7 rebelião de presos em 4 dias
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de maio de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Paraná registrou a sétima rebelião de presos nos últimos quatro dias. Desta vez, o palco foi a cadeia pública ou minipresídio como é conhecido Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa. Setenta e dois detentos de uma das galerias iniciaram o motim, depois de uma tentativa de fuga fracassada. As outras seis rebeliões aconteceram em Cascavel, Toledo, Umuarama, Campo Mourão, Foz do Iguaçu e São José dos Pinhais, entre domingo e terça-feira.
De acordo com o delegado-chefe da 13 Subdivisão Policial de Ponta Grossa, Noel Muchinski da Mota, o minipresídio tem capacidade para 112 presos e abrigava 256. Os presos da 3 galeria haviam cavado um túnel, ligando aquela ala ao pátio da unidade. Por volta das 5h30 da madrugada de ontem, quando os internos estavam alcançando o pátio, os guardas perceberam a movimentação e frustraram a fuga. Como havia comunicação com as celas da 4 galeria, os presos dessa ala 84 no total também aderiram ao motim, que só foi controlado três horas depois.
Segundo informações da Secretaria de Estado da Segurança Pública, 60 policiais militares da Rondas Ostensivas Tático Motorizado (Rotam), do 1º Batalhão da Polícia Militar (PM) e do patrulhamento, com ajuda de policiais civis, entraram no local e controlaram o tumulto. Os presos queimaram colchões, mas o Corpo de Bombeiros controlou rapidamente o incêndio para evitar que se alastrasse para outras alas. No enfrentamento, o detento Rodrigo dos Santos, conhecido como ''Coiote'', foi ferido com um tiro no ombro direito.
O subcomandante da PM, major Francisco Ferreira de Andrade Filho, acredita que o túnel tenha sido cavado na noite de terça-feira. Estava programada para a manhã de ontem uma operação ''pente-fino'', prática rotineira de vistoria das celas. Os irmãos Márcio e Marcos Lopes Ferreira, segundo a PM, teriam liderado a rebelião. Eles são indiciados por homicídio e roubo.
Giselda Teresa Lopes, 28 anos, irmã dos presos que teriam liderado o motim, e Tatiane Iankoski, 20, namorada de um deles, são suspeitas de tentar facilitar a fuga. Elas estavam circulando em um veículo modelo Omega nas proximidades do presídio.
O delegado disse, ontem, que estava negociando com a Justiça, a transferência de parte dos presos para o sistema penitenciário. Segundo ele, 35 detentos já têm condenação. Não há como transferir outros detentos para a carceragem da delegacia, pois o local já abriga mais que o dobro de sua capacidade: são 34 presos em um espaço destinado a 16.
A superlotação no minipresídio ficou ainda mais complicada depois do motim. Pelos menos, seis celas tiveram as grades arrancadas, além dos danos nas paredes e nos sistemas elétrico e hidráulico.


