Curitiba, 21 (AE) - O Paraná fechou 1999 com 59 acordos para instalação de novas empresas no Estado, num investimento de quase R$ 1 bilhão. "Os benefícios fiscais que oferecemos não são diferentes dos outros Estados", argumenta o governador Jaime Lerner (PFL), afirmando que a diferença está na qualidade de vida e na infra-estrutura preparada para modernizar o Estado, especialmente em rodovias e comunicações.
O Paraná, diz o governador, sabe explorar as potencialidades, como a localização privilegiada em relação ao Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul), montou uma estratégia para melhorar as condições do Estado e, com isso, atrair novos investimentos. O Estado pode, como argumenta, garantir energia nesta época de previsão de escassez. O Estado exporta 88% da energia que produz, quando poderia usá-la ele mesmo. O Paraná, na opinião dele, está em franco desenvolvimento, sem as desvantagens da saturação experimentada por São Paulo.
Reforçando que a política paranaense não está dirigida a tirar empresas do Estado paulista, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Carlos Gomes Carvalho, diz que a alta concentração industrial de São Paulo atrapalhou as relações capital/trabalho e gerou um ambiente altamente poluído, com falta de segurança e problemas de telecomunicações, além de supervalorização dos imóveis, o que, às vezes, torna inviável a ampliação de parques industriais.
"A somatória das qualidades do Paraná é mesmo muito atraente", concorda o caçador de talentos Bernt Entschev. De acordo com ele, o Estado tem uma enorme vantagem em relação a Rio e São Paulo, por exemplo, em várias áreas da atividade econômica. A vinda da Renault, que tomou a decisão pelo Paraná em 1996, foi decisiva porque, no rastro dela, vieram dezenas de fornecedores. Dados do governo do Estado revelam que, depois da instalação da montadora francesa, da Audi/Volkswagen e da Chrysler, 49 empresas fornecedoras e quatro fábricas de motores foram construídas, principalmente na Região Metropolitana de Curitiba.
O ponto de virada para a industrialização do Estado, de acordo com avaliação do governo paranaense, foi a decisão da Renault.
No esforço para conquistar a montadora francesa, o governo Lerner entrou como sócio no negócio - inicialmente, previa contribuir com US$ 300 milhões, 40% do capital da empresa. No momento em que havia injetado US$ 130 milhões, o governo propôs encerrar a participação. A montadora concordou e anunciou a instalação de nova fábrica, desta vez de motores, inaugurada em dezembro.
"Qualidade de vida é o ponto fundamental; tomara que nossos competidores não acreditem nisto; eu acredito", diz Lerner, completando: "Ninguém vai instalar uma fábrica em local que tenha graves problemas sociais." De acordo com o governador
grande parte dos problemas do Brasil tem origem nas desigualdades regionais, provocadas pela concentração industrial
especialmente em São Paulo.
Um dado curioso: está crescendo o número de executivos que continuam trabalhando em São Paulo e transferem as famílias para a região de Curitiba. Entschev calcula que foram cerca de 200 apenas nos últimos dois anos. Desde o início do primeiro mandato de Lerner, há cinco anos, o programa de desenvolvimento industrial atraiu investimentos de R$ 18 bilhões. Mais de 600 empresas se instalaram no Estado. Cerca de cem delas se beneficiam do programa Paraná Mais Empregos, que adia o recolhimento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por 48 meses. Ao fim deste prazo, as empresas começam a pagar o imposto atrasado com correção monetária.

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