PR é vice-líder em destruição da Mata Atlântica
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná foi o segundo estado brasileiro que mais desflorestou sua Mata Atlântica nos últimos dois anos. O levantamento da Fundação SOS Mata Atlântica, feito em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), desde 1985, foi divulgado ontem e demonstrou que uma área de 20 mil hectares - o equivalente a metade do território de Curitiba - de cobertura florestal nativa foram desmatados de 2008 a 2010 em todo o país. No Paraná, 2.699 hectares foram devastados, área inferior apenas à de Minas Gerais: 12.524 hectares desflorestados.
Junto com Santa Catarina e São Paulo, são quatro estados considerados áreas críticas por serem os que mais possuem remanescentes florestais em seus territórios. No caso do Paraná, foi observada uma diminuição na taxa anual de desmatamento, em 19%, na comparação com o período anterior pesquisado (2005-2008). O Estado já teve cobertura de 98% do território no Bioma Mata Atlântica. Atualmente, esse total estaria em 10%.
A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) foi a campeã de desmatamento, em especial o município de Colombo. Para o coordenador técnico do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, Flávio Jorge Ponzoni, antes o deflorestamento se concentrava no interior. A devastação estaria ligada à expansão da malha urbana na região.
De acordo com o coordenador executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Clóvis Borges, o estudo da SOS Mata Atlântica não contempla outras áreas naturais do Estado e considera como preservadas áreas em estágios inicial e secundário de degradação. ''Se formos considerar apenas os locais bem conservados, restam apenas 3% do território original. A destruição aqui ainda acontece para produção de carvão, lenha e extração de madeira de lei, além das frentes de agricultura'', afirma.
'Inaceitável'
O Paraná, diz Borges, não tem um sistema de controle dos remanescentes e existe uma forte pressão para que essas últimas áreas sejam destruídas. ''Nosso limite legal de destruição foi atingido na década de 60. Hoje, qualquer hectare desmatado é inaceitável. Mas não há estrutura do governo para esse monitoramento'', afirma. Borges sugere leis que determinem incentivos em dinheiro aos proprietários de terras que preservem a floresta.
O chefe do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Reginato Bueno, atribui os índices de devastação da RMC à topografia desfavorável para agricultura e à forte pressão econômica para o plantio de pinus e eucalipto. Admite a dificuldade no controle da comercialização da madeira retirada de forma clandestina.
Já o secretário estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Jorge Augusto Callado Afonso, destacou, pela Agência Estadual de Notícias, o novo sistema de monitoramento via aérea que detecta focos de desmate a partir de 900 metros.


