Curitiba – O Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) e os Grupos de Fiscalização das Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego (SRTEs), formado por representantes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Polícia Federal (PF), resgataram 256 pessoas em condições análogas à escravidão no Paraná no ano passado. O número só não foi maior do que os registrados no Pará (563) e em Tocantins (321).
Em todo o País 2.849 trabalhadores foram encontrados em situação degradante, num total de 255 ações desencadeadas no meio urbano e rural. O balanço divulgado ontem aponta que os três primeiros Estados no ranking foram responsáveis por 40% do total de trabalhadores libertados.
Em relação a 2011 houve um crescimento de 29% no total de trabalhadores resgatados (2.203). No Paraná, a alta foi muito superior. Conforme os dados, houve um aumento de 1.247%, passando de 19 trabalhadores resgatados para os 256 de 2012.
De acordo com o MTE, o aumento no número de resgatados é fruto do maior número de operações no meio urbano, do aprimoramento na triagem de denúncias e porque as ações foram realizadas em regiões até então não inspecionadas com frequência.
As operações resultaram no pagamento total de R$ 9,5 milhões em verbas rescisórias aos empregados. No ano passado também foram lavrados 3.695 autos de infração, emitidas 2.336 guias de seguro-desemprego e assinadas 500 Carteiras de Trabalho e Previdência Social (CTPS).
Entre as cinco operações com maior quantidade de trabalhadores resgatados, duas foram no Paraná - nas cidades de Perobal, na Região Metropolitana de Umuarama (125 libertados), e Engenheiro Beltrão, no Centro-Oeste (92 libertados). No Paraná, 147 fiscais participam de ações em todo o Estado.
"É um número pequeno e mesmo assim a fiscalização está sendo rigorosa. São casos vergonhosos, mas se as irregularidades existem, precisam ser combatidas. Os empresários precisam se conscientizar e respeitar os direitos dos trabalhadores", destacou Neivo Beraldin, superintendente regional do MTE.
Ele ainda ressaltou que na próxima quinta-feira, em Curitiba, representantes do MTE, MPT, secretarias de Estado, universidades, sindicatos de trabalhadores, entre outros, vão discutir ações com o objetivo de promover a reinserção no mercado de trabalho das pessoas encontradas em situações degradantes.
"Sabemos dos problemas na zona rural, mas o que mais preocupa, no momento, é a terceirização desenfreada promovida por grandes empreiteiras, por exemplo. Como uma empresa menor fica responsável pela mão de obra, em muitos casos a situação de trabalho é grave, sem condição mínima de higiene, em dormitórios improvisados e com horários absurdos", ressaltou o procurador do MPT no Paraná, Gláucio Araújo de Oliveira.

Sucroalcooleiro
Adriano da Silva Dias, superintendente da Associação de Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná (Alcopar), disse que desconhece a ocorrência de resgate de trabalhadores em empresas do setor no Estado. Segundo ele, muitas companhias paranaenses, inclusive, foram premiadas pelo MTE com o selo de boas práticas nas condições de trabalho. (Colaborou Adriana De Cunto)

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