Curitiba- Cerca de 16% das mulheres deportadas de países europeus, em 2005, eram originárias do Paraná, segundo colocado no ranking dos estados com maior número de casos, ficando atrás apenas de Goiás (18%). As informações fazem parte da pequisa encomendada pela Secretaria Nacional de Justiça (órgão vinculado ao Ministério da Justiça) e divulgada, ontem, durante o seminário ''A mulher que ninguém vê: O universo do tráfico e deportação,'' em São Paulo. O debate fez parte das atividades referentes ao Dia Internacional da Mulher.
A pesquisa, por amostragem, foi realizada entre março e abril do ano passado, no aeroporto internacional de Guarulhos, em São Paulo, e envolveu, também, os casos de mulheres não admitidas. Goiás teve o maior percentual de ocorrências (23%), seguido de Minas Gerais (17%) e Paraná (16%). Ao todo, 175 mulheres responderam o questionário, sendo que 15 das entrevistadas afirmaram envolvimento com a ''indústria do sexo'' na Europa. Do total, 76% não foram aceitas nos países de destino. A maioria havia tentado ingressar em Portugal, Itália, França, Espanha e Inglaterra.
Segundo o levantamento, a maioria das mulheres é de origem humilde e recebia no Brasil até três salários mínimos. A maior parte das entrevistadas se concentra na faixa dos 25 aos 40 anos de idade. O estudo revela ainda que a maioria (57,7%) tem ensino médio completo ou incompleto, sendo que parte significativa alcançou o ensino superior completo ou incompleto (19,4%).
Ainda de acordo com a Secretaria Nacional de Justiça, parte das mulheres deportadas eram vítimas de tráfico internacional com fins de exploração sexual. O Paraná é apontado na pesquisa como ''novo'' estado emissor. Dados da Divisão de Direitos Humanos, do Departamento de Polícia Federal, apontam que, nos últimos 14 anos, foram abertos 326 inquéritos no País para apurar o tráfico de seres humanos. No Paraná, foram 26 casos, quase metade nos anos de 2003 e 2004.

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