PR e SC são os que mais desmatam floresta atlântica
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quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os estados do Paraná e Santa Catarina foram os que mais promoveram desmatamento de floresta atlântica nos últimos cinco anos. Do total de 95.066 hectares de deflorestamento detectados na Mata Atlântica de oito estados pesquisados, entre 2000 e 2005, 73.561 hectares, o correspondente a 77% do total de remanscentes suprimidos estão concentrados no Paraná e Santa Catarina. O estado catarinense foi o campeão, com 45.419 hectares de floresta a menos, seguido pelo Paraná, onde ocorreram a extinção de 28.142 hectares da mata.
A situação dos estados foi revelada, ontem, pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em entrevista coletiva, na qual anunciaram os novos dados do ''Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica 2000-2005''. Única iniciativa brasileira para acompanhamento da situação da Mata Atlântica no País, o Atlas é produzido desde 1989 e atualizado a cada cinco anos, desde 1985. O levantamento é feito a partir da análise de imagens de satélites e checagem com especialistas em campo.
Com uma área de 20.044.405 hectares, sendo 97,36% de Mata Atlântica, restam ao Paraná apenas pouco mais de 10% (2.064.383 hectares) de floresta atlântica. Segundo o último mapa, entre 2000-2005, o estado perdeu 28.142 hectares de florestas e 87 hectares de restingas, o que representa um desflorestamento de 1,34%. Isto significa que hoje restam apenas 1.929.648 hectares de Mata Atlântica na região. Em 2000, quando foi divulgados dados do Atlas 1995-2000, restavam 1.957.790 hectares.
''Estes estados são campeões por razões políticas, não econômicas. Os ruralistas promovem essa devastação. Grande parte das florestas das araucárias, de áreas bem preservadas, estão desaparecendo em grandes extensões'', denuncia Marcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento e coordenadora do Atlas pela Fundação SOS Mata Atlântica. Marcia lembra que o Paraná foi campeão de desmatamento por duas vezes. ''A situação é grave. Muitas florestas foram perdidas sem que sequer fossem estudadas. Uma grande perda ao País'', lamenta.
O diretor de Mobilização da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, vai mais além. Ele acusa a direção do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) de omissão diante da ''pressão exercida por ruralistas interessados na madeira da Mata Atlântica. ''O estado só perde para Santa Catarina, mas o fenômeno é o mesmo. O fato desses estados contestarem permanentemente os limites do bioma, como reação ao Decreto 750, e os ruralistas exercerem a maior chantagem contra a proteção dessa floresta e os governos fazerem vistas grossas para o processo'', denuncia.
O fato do Paraná ter reduzido 88% do desmatamento em relação ao levantamento anterior basta para demonstrar que o governo vem aplicando uma política ambiental eficaz, na opinião do secretário de Estado de Meio Ambiente e presidente do IAP, Rasca Rodrigues. Além disso, ele define como irresponsável as críticas feitas ao IAP, e que o Paraná é o Estado que possui o maior número de Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPNs), 35% das reservas do Brasil estão em seu território. ''Essas declarações revelam o total desconhecimento dessas pessoas sobre a nossa política ambiental. A federação das associações das RPPNs, inclusive, está sediada em Guarapuava'', defende o secretário.


