PR e SC reduzem ritmo de devastação
Agência Estado
Os dois vilões do desmatamento na Mata Atlântica, no estudo anterior, desta vez deram bom exemplo. No Paraná e em Santa Catarina, diminuiu significativamente o ritmo de derrubadas, ainda que os números absolutos continuem altos. Dos 144 mil hectares devastados entre 85 e 90, o Paraná foi para 84.609 hectares, entre 90 e 95. O Estado perdeu, no período, 4,66% dos remanescentes anteriormente mapeados. Em Santa Catarina, a redução foi de 99 mil hectares detectados entre 85-90 para 62.919 hectares. O Estado perdeu em 95 o correspondente a 3,64% dos seus remanescentes.
‘‘Essa redução demonstra a importância da pressão da opinião pública e do próprio monitoramento’’, observa João Paulo Capobianco, do Instituto SocioAmbiental. Segundo ele, os paranaenses e catarinenses foram impactados ao ser apontados como os vilões, no estudo anterior, e o impacto refletiu nas ações governamentais e até no Judiciário.
Em Santa Catarina, a Procuradoria da República concedeu uma liminar proibindo os órgãos de fiscalização de emitir qualquer licença de desmatamento antes da regulamentação da legislação federal. ‘‘A ação da procuradoria obrigou os madeireiros a mudar de estratégia e eles passaram do corte raso para o desmatamento seletivo, cortando com mais critério, apenas as espécies nobres’’, comenta Míriam Prochnow, da entidade ambientalista Apremavi. O desmatamento seletivo ainda tem problemas, porque empobrece a floresta, mas já é um passo adiante da derrubada indiscriminada.
Resta ainda conter o uso de árvores nativas para abastecer as estufas de secagem de fumo, uma das maiores causas de desmatamento na região sul, atualmente. Segundo cálculos da Apremavi, as 122 mil estufas de secagem de fumo do sul consomem cerca de 8,5 milhões de metros cúbicos de lenha por ano e apenas 30% deste total é proveniente de reflorestamentos comerciais. O restante sai da Mata Atlântica.
No Paraná, a legislação restritiva - editada pelo governo Collor em 90 e o decreto 750, que proíbe o corte de Mata Atlântica primária desde 1993 - também imobilizou os madeireiros. O governo estadual trabalhou com os dados do estudo anterior, tomando medidas para recompor sua imagem.
‘‘É preciso ponderar, entretanto, que a floresta densa, no Paraná, só existe agora onde sua exploração não é economicamente viável, em encostas muito íngremes da Serra do Mar’’, lembra Teresa Urban, do Fórum Pró-Conservação da Natureza. ‘‘Na floresta mista, de pinheirais, a devastação continua.’’ Os números confirmam a observação da ambientalista. Do total desmatado no Paraná, 73,8% ou 58.848 hectares foram derrubados na floresta ombrófila mista, a floresta de araucária (pinheirais).

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