Curitiba - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas termina no dia 3 de julho o relatório final das investigações realizadas em todo o Brasil. Os deputados federais concluíram que o tráfico de armas está diretamente ligado às facções criminosas que atuam dentro e fora dos presídios. As mais atuantes seriam o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O Paraná funcionaria como a porta de entrada destas armas através da fronteira com o Paraguai.
''Existe uma fiscalização na fronteira que não é suficiente para coibir a ação criminosa. Pode ser que exista até um acordo criminoso com as autoridades locais para que o tráfico continue ocorrendo sem grandes entraves'', afirmou o deputado federal Eduardo Sciarra (PFL-PR), suplente da CPI do Tráfico de Armas.
O Paraná é um dos estados citados num relatório entrega à CPI do Tráfico de Armas e que demonstra como as principais organizações criminosas atuam no Brasil. O documento com 120 páginas destaca inquéritos feitos pela Polícia Civil de São Paulo com base em escutas telefônicas e delações premiadas. Assinado pelo delegado Alberto Pereira Matheus Júnior, o relato mostra que o PCC ''preenche todos os requisitos necessários para ser conceituado como uma organização criminosa pois conta com uma clara estrutura hierárquica, economia própria, ações no tráfico de drogas ilícitas, roubos, sequestros e extorsões''.
O grupo teria se fortalecido com a disseminação de lideranças por presídios do interior de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná. ''Tem um braço do PCC no Paraná. Nesses deslocamento de um presídio para o outro, a organização criminosa chegou ao Estado. Todos sabemos que ela existe e, por isto, estamos pedindo um detalhamento da ação criminal dessas organizações no Paraná'', pontuou Sciarra.
O relatório foi a compilação de um trabalho coordenado pelo deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP). Promotor de Justiça há 19 anos, Sampaio detalhou como funcionava a hierarquia das facções que contam os gerentes (líderes), os pilotos (braços do PCC que atuam sob o comando dos gerentes), os executores (realizadores dos crimes e atentados) e os auxiliadores (pessoas que atuam fora dos presídios).
''A nossa idéia era fazer o levantamento com as polícias civis dos estados para saber onde o PCC e o CV estavam organizados e o que se estava fazendo para impedir o crescimento da facção criminosa dentro dos presídios. O único estado que estava fazendo algo era o de São Paulo, que foi o mais específico de todos'', afirmou Sampaio.
O deputado tucano disse que em alguns estados, as facções criminosas ainda estavam em estado embrionário. Ele orienta que os estados utilizem celas separadas para evitar a comunicação entre os presos; faça um controle firme da entrada de telefones celulares dentro dos presídios; busque alternativas para evitar que advogados e presos tenham comunicação.

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