Curitiba - O Paraná é o terceiro estado brasileiro no volume de ocupações de terra, conflitos e mortes no campo. De acordo com dados divulgados ontem pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), de janeiro a agosto deste ano, foram feitas 259 ocupações novas que envolveram 55,8 mil famílias em todo o Brasil. Deste total, 11% ocorreram no Paraná: são 29 novas áreas invadidas e mais de 15 mil famílias em acampamentos. Em Pernambuco, foram 86 ocupações e em Minas Gerais, 30. Para o secretário executivo da CPT no Paraná, Jelson Oliveira, o motivo das invasões é o aumento da expectativa que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tem com relação ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De janeiro a setembro, o Paraná registrou sete homicídios no campo. Três deles ocorreram por conflitos internos e outros quatro de acordo com a CPT como consequência da violência pela posse de terra. Foram assassinados neste período os sem-terra Nelson Alves de Souza, 23 anos (no Assentamento 16 de Maio, em Ramilândia); Francisco José dos Santos, 27 anos (no Assentamento Nossa Senhora Aparecida, em Mariluz); Paulo Sérgio Brasil, 36 anos (na Fazenda Coqueiro, em Foz do Jordão); e Anaro Lino Vial, 52 anos (na Fazenda Coqueiro, em Foz do Jordão).
Dos quatro assassinatos, apenas os de Brasil e Vial foram confirmados como tendo sido vítimas da ação de pistoleiros. Nos outros dois casos, os inquéritos ainda estão em andamento e apontam para integrantes do próprio MST. Oliveira rebate. Para ele, os assassinos eram narcotraficantes que se infiltraram dentro dos acampamentos a pedido dos ruralistas. ''Isso foi feito para criar conflitos entre os sem-terra'', declarou Oliveira.
O número de assassinatos no campo é superior à média das mortes ocorridas durante o governo Jaime Lerner (PSB). Nos oito anos de governo, foram registrados 16 assassinatos. ''Antes era a própria polícia que matava. Agora, o governo dialoga com o MST e os ruralistas organizam milícias para reprimir o avanço das ocupações'', analisou o secretário da CPT.
Este ano, a novidade no Paraná foi a criação das chamadas milícias privadas. Os escritórios da União Democrática Ruralista (UDR) avançaram sobre o Estado e foi criado o Primeiro Comando Ruralista (PCR). O Paraná registrou neste governo 21 despejos, a maior parte de forma pacífica. Durante todo o governo Lerner ocorreram 134 despejos, a maior parte com violência, segundo dados da CPT. Ainda na gestão anterior foram realizadas 488 prisões de trabalhadores rurais e 324 pessoas tiveram lesões corporais durante conflitos com policiais militares. Neste ano, foram verificadas as prisões de três sem-terra.
Os dados são contestados pelo presidente da UDR, Marcos Prochet. De acordo com ele, não existem milícias armadas no campo. ''O proprietário rural apenas se defende quando é atacado. A violência acontece por causa da invasão por parte dos sem-terra'', pontuou. Prochet criticou a ação da CPT, que segundo ele incentiva a violência no campo. ''A violência acontece por causa de entidades hipócritas como a CPT, que encorajam os sem-terra e incentivam com isso a prática de conflitos e de violência'', considerou ele.

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