Curitiba - O Paraná é o quarto Estado que mais desmatou a floresta Atlântica no País. Entre 2011 e 2012 foram desmatados 2.011 hectares no Estado contra 1.339 hectares entre 2010 e 2011, o que significa um crescimento de 50,1%. O Atlas de Remanescentes da Mata Atlântica mostrou que, após ter apresentado queda nos últimos anos, a área derrubada voltou a crescer tanto no Brasil como no Paraná.
O estudo realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostrou que 235 quilômetros quadrados ou 23.548 hectares de floresta nativa foram desmatados entre 2011 e 2012. Com isso, hoje a cobertura de floresta atlântica no Brasil é de 8,5%.
No Paraná, 72 cidades tiveram desmatamento acima de três hectares, que é o padrão utilizado pelo levantamento. As cidades do Estado que ficaram no topo da lista foram Telêmaco Borba, Ortigueira, Bituruna, Prudentópolis e Coronel Domingos Soares.
O pesquisador e coordenador do Atlas pelo Inpe, Flávio Jorge Ponzoni, acredita que um dos motivos que pesou para aumentar o desmatamento no Paraná foi a construção da Usina Hidrelétrica de Mauá, localizada no Rio Tibagi, entre as cidades de Ortigueira e Telêmaco Borba (Campos Gerais).
A Copel informou que o projeto ambiental implementado com a construção da usina prevê uma série de medidas para mitigar ou compensar os impactos ambientais, como a compra e proteção de áreas verdes em proporção e relevância equivalentes às áreas suprimidas, conforme prevê a legislação.
O estudo é realizado há 27 anos e esta é a primeira vez que todos os 17 Estados com registro de Mata Atlântica fazem parte do levantamento. No entanto, devido à presença de nuvens e outros problemas nas imagens de satélite, 81% do território com incidência de Mata Atlântica foram monitorados. As áreas que não estão no levantamento são o Nordeste e parte do Espírito Santo.
"A sociedade como um todo tem culpa pelo desmatamento. A floresta é um bem público. É preciso ter uma compensação ambiental para o desmatamento", disse Ponzoni.
O presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Luiz Tarcísio Mossato Pinto, disse que ainda não tomou conhecimento do estudo. Ele esclarece que "nem tudo o que foi divulgado no Atlas é desmatamento ilegal". Segundo ele, neste mês o governo estadual vai implantar o Cadastro Ambiental Rural com imagens de satélite a cinco metros do chão para poder realizar um levantamento mais detalhado das propriedades. A pessoa que desmatar será obrigada a repor o que suprimiu da natureza.

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