Londrina - O Paraná é o terceiro Estado que mais perdeu área de Mata Atlântica no ano passado. A informação é baseada no Atlas de Remanescentes Florestais da Mata Atlântica 2010-2011, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Fundação SOS Mata Atlântica. Em maio, as entidades já haviam divulgado o Atlas, mas fizeram uma revisão dos dados e divulgaram um novo número relacionado ao Paraná. A correção fez o Estado saltar da 8 para a 3 colocação entre os que mais desmataram.
Em maio, o Atlas havia divulgado que apenas 71 hectares haviam sido desmatados no Estado entre 2010 e 2011. Mas o número revisto passou para 1,3 mil hectares, quantidade 18 vezes maior do que o dado divulgado inicialmente.
Conforme o Inpe e SOS Mata Atlântica, o equívoco aconteceu porque uma nuvem encobriu a imagem de satélite, de 8 de julho de 2011, utilizada originalmente. A nebulosidade encobria o reservatório da Usina de Mauá, entre Telêmaco Borba e Ortigueira (Campos Gerais), impedindo a identificação de supressão de floresta nativa.
Alertados sobre o problema, os órgãos usaram outra imagem, de 4 de novembro de 2011, na qual a supressão se tornou evidente, de acordo com a diretora de conhecimento da SOS, Márcia Hirota. No entanto, os números do Estado, e do País também, podem ser maiores, isso porque as imagens de satélite só captam desmates maiores do que 3 hectares.
O total de desflorestamento identificado no município de Telêmaco Borba, com a imagem de novembro, foi de 1.001 hectares e em Ortigueira, de 267 hectares. Com o resultado, Telêmaco Borba se tornou a quarta cidade mais desmatada no País entre 2010 e 2011, conforme ranking da SOS Mata Atlântica. Ficou atrás de Águas Vermelhas (MG), Canavieiras (BA) e Jequitinhonha (MG), com 1.367 ha, 1.337 ha e 1.270 ha devastados, respectivamente.
Conforme Márcia, o desmatamento na área nos Campos Gerais gera preocupação, mas ''foi autorizado''. ''A Lei da Mata Atlântica permite, desde que tenha benefícios para população'', comentou.
Recentemente começou o enchimento do reservatório. No total, de acordo com o IAP, o lago da usina deve cobrir 94 quilômetros quadrados. De acordo com o presidente do IAP, Luiz Mossato Pinto, foi autorizada a retirada de aproximadamente 3 quilômetros quadrados de floresta entre 2010 e 2011 para a obra. Por isso, conforme ele, foi ''previsível'' o erro da SOS Mata Atlântica.
Conforme Mossato, a autorização da retirada florestal para Usina de Mauá foi uma exceção. ''Emitimos poucas autorizações de desmate'', afirmou ele, que não soube precisar o número.
Ainda de acordo com Mossato, o IAP registrou 3.880 autos de infração em 2011 no Paraná. ''Em 2010 foram 2.970 autos. Não é que 2010 aconteceram menos infrações, mas a fiscalização foi mais ofensiva em 2011'', comentou. Ele afirmou ainda que o IAP não tem uma estimativa própria de quanto foi desmatado.
Até o final do ano o IAP pretende implantar o programa Bioclima, que prevê pagamento para produtores que preservarem áreas florestais. ''Por exemplo, um produtor que tem 100 alqueires e utiliza todos eles, sem respeitar os 20% de reserva legal, vai pagar para outro que tem 100, mas preserva 40 alqueires. Até dezembro esperamos finalizar a tabela de preços'', explicou.
Segundo Márcia, o Paraná é o terceiro Estado com maior área de Mata Atlântica - são 24 mil quilômetros quadrados, o que corresponde a 12% do território original. Neste quesito, preservação da área original, o Paraná é nono entre os 17 Estados computados pela entidade.

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