PR disseminou PCC pelo Brasil, diz conselheiro
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segunda-feira, 15 de maio de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Para o advogado criminalista e integrante do Conselho Penitenciário do Paraná, Dálio Zippin Filho, o Primeiro Comando da Capital (PCC) se disseminou a partir das prisões paranaenses nos primeiros anos de 2000. Ele se apóia no mapa das rebeliões registradas no Paraná, São Paulo e Mato Grosso para alertar que as unidades prisionais estão contaminadas por ''células criminosas altamente ativas, bem organizadas e com excelente aparato de comunicação''. Zippin Filho disse ter informação de que os criminosos também estariam monitorando a rotina de agentes prisionais do Paraná, seguindo o que também ocorreu em São Paulo.
''Nós do Paraná, fomos os responsáveis pela disseminação do PCC pelo Brasil. O ''Marcola'' (Marcos Wilian Herbas Camacho, atual líder da facção) e o ''Geléia'' (José Márcio Felício, ex-líder) estiveram no Paraná onde participaram de rebeliões. Foram para São Paulo em 2002 e também fizeram rebeliões. De lá, foram transferidos para Mato Grosso e de novo causaram problemas. Então, não é coincidência que agora estouraram rebeliões nestes três Estados'', argumentou.
Para Zippin Filho, a onda de terror imposta pelo PCC desde o último final de semana é uma demonstração de força da organização. ''Foi só uma forma de dizerem: se quisermos, nós podemos barbarizar.''
O criminalista destaca que facções criminosas como PCC e o PCP se fortalecem a partir de certas condições como: excesso de população carcerária, condição subumana dos presos em cadeias públicas, demora do Judiciário em definir as sentenças e falta de advogados e de defensores públicos na área criminal.
''Só no Paraná, a população carcerária cresce de 250 a 300 novos presos por mês. Nesse ritmo, seria preciso construir um presídio novo a cada três meses. Mesmo construindo 10 presídios não será suficiente para absorvermos os 18 mil presos que temos no sistema, dois quais 10 mil só nas cadeias'', opinou o membro do conselho penitenciário, que já recebeu ameaças de morte de integrantes do PCC.


