Curitiba- O Paraná conseguiu sair da lista dos estados brasileiros que registram mais casos de violência contra trabalhadores rurais. O Relatório Direitos Humanos no Brasil 2004, com base em pesquisa feita anualmente por 30 organizações de defesa dos direitos humanos, foi divulgado ontem em São Paulo e cita apenas um caso de morte em conflito no campo. O levantamento foi feito de janeiro a agosto deste ano.
O Relatório 2004 também comprova denúncias da Comissão Pastoral da Terra do Paraná (CPT/PR), desde meados de 2003, de que os fazendeiros estariam se armando e agindo por conta própria. Em 31 de julho, no município de Guairaçá (26 km a oeste de Paranavaí) o sem-terra Elias Gonçalves de Moura foi morto por jagunços que abriram fogo contra 400 famílias que estavam acampadas próximas à Fazenda Santa Filomena. Várias pessoas ficaram feridas, e as famílias ocuparam a fazenda após o conflito. O fazendeiro Francisco Carvalho Ramos entrou com pedido de reintegração de posse e aguarda o decisão da justiça.
Em todo País, 20 trabalhadores rurais foram mortos, nove no Pará e três em Pernambuco. Assim como no Paraná, Maranhão e Piauí registraram duas mortes. Mato Grosso e Paraíba tiveram uma morte cada um.
No Relatório 2003, o Paraná era citado como um dos estados brasileiros com maior incidência de violações contra trabalhadores rurais, ao lado do Pará. Paraíba, Pernambuco e São Paulo.
''Os despejos continuam e o mais grave é que a Polícia Militar vem agindo com as mesmas táticas de antes, apesar do discurso do Governo do Paraná. Em alguns despejos a violência tem sido até maior do que a usada no confronto da BR-277'', afirma Dionísio Vandresen, da CPT/PR.

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