PR combate mal o roubo de cargas
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa que apura o roubo de cargas no Paraná encaminhou ontem ao governo dois projetos de lei para tentar reduzir esse tipo de crime no Estado. Um dos projetos autoriza a criação de um Centro de Informações sobre o roubo de cargas. O outro, que precisa passar por votação na Casa, permitirá que o governo implante nas rodovias do Estado um sistema informatizado de identificação de veículos e controle de tráfego, com o objetivo de localizar rapidamente cargas roubadas.
Apesar de haver em Curitiba uma delegacia especializada em apurar o roubo de cargas, as investigações hoje são feitas de forma isolada, pelas delegacias onde ocorre o registro da ocorrência. As informações sobre os casos também ficam em seus locais de origem, sem a centralização delas em Curitiba.
Segundo Jairo Estorrilho, delegado-adjunto da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, a falta de comunicação dificulta ações de prevenção e o combate às quadrilhas que agem no Estado. Estorrilho depôs ontem à CPI, como convidado. Também foi ouvido o empresário paulista Artur Santos, vice-presidente da Pamcary Seguros, que centraliza quase 60% dos seguros de cargas no País. As decisões dos deputados, que constam do primeiro relatório parcial da CPI, foram tomadas depois desses depoimentos.
A ineficiência e falta de estrutura no combate ao roubo de cargas no Estado já gerou casos emblemáticos. No início deste ano, a identificação da propriedade de um carregamento de azeite recuperado pela Polícia Civil em Mandirituba (Região Metropolitana de Curitiba) durou um dia. Além de o produto não ter gravado seu lote de fabricação, o registro da ocorrência havia sido escrito à mão, em um grande livro, ilustrou Estorrilho.
De acordo com o delegado, a Polícia Civil estuda desde fevereiro a implantação de um cadastro centralizado das ocorrências no Estado. Ativada há cinco meses, a delegacia possui três delegados, quatro escrivães e cerca de 15 investigadores, para apurar casos de roubo de cargas e estelionato. Teríamos que, no mínimo, dobrar o efetivo, ou desmembrar as duas áreas, disse Estorrilho aos deputados.
Segundo dados levantados pelo delegado, no ano passado foram registradas no Estado 105 ocorrências de furto (quando não há violência ou coação), roubo e desvio de cargas, um aumento de 17,4% em relação a 98. Mesmo assim, Estorrilho considerou que a situação não é alarmante. As cargas preferidas são de cigarros, eletroeletrônicos, medicamentos e alimentos.
Para o empresário Artur Santos, a situação é preocupante. Nos últimos cinco anos, o número de ocorrências no País dobrou de 2,6 mil, em 94, para 5 mil, no ano passado. O prejuízo com os roubos triplicou: R$ 100 milhões em 94 e R$ 380 milhões em 99.





