Curitiba - Em resposta às reivindicações de policiais civis e aos constantes protestos realizados em delegacias da capital por causa da superlotação das carceragens, as secretarias estaduais da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) e da Segurança Pública (Sesp) deram início nesta semana ao processo de criação de uma Central de Escolta de Presos em todo o Paraná. O objetivo é regulamentar a maneira como serão feitas as escoltas de detentos em todo o Estado.
A previsão é de que em 15 dias a unidade seja institucionalizada e um grupo de trabalho, formado por representantes das duas pastas e das polícias Civil e Militar, Ministério Público e Poder Judiciário, regulamente a atividade. A criação da central é uma das decisões que fazem parte do acordo firmado na noite de quarta-feira, durante reunião realizada entre os órgãos e representantes de sindicatos e associações dos policiais civis.
No dia 10 de setembro, o Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná (Sinclapol) orientou os policiais a não realizarem mais a escolta de presos e encaminhou um ofício com a decisão aos secretários de Justiça e de Segurança Pública.
Na capital, até ontem, carceragens de quatro delegacias ainda estavam interditadas. São elas a Delegacia de Vigilância e Capturas (DVC), a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), e o 10º e 12º distritos policiais.
"A expectativa é que ocorram modificações na escolta em três fases. A princípio na capital, depois na região metropolitana e, posteriormente, em todo o Estado. Também é preciso estruturar o Comitê de Transferência de Presos no interior, principalmente nos casos de Londrina e Maringá, onde a situação da superlotação das carceragens é mais preocupante", informou Luiz Alberto Cartaxo Moura, diretor da Divisão de Investigações Criminais (DIC) da Polícia Civil.

Propostas
No encontro foram estabelecidas 11 propostas, entre elas a elaboração de critérios para diminuir a superlotação das delegacias com metas de curto, médio e longo prazos para a retirada total dos presos. Também constam do acordo a decisão de reivindicar ao Poder Judiciário a realização de mutirões carcerários mensais, agilização do processo para contratação dos serviços de monitoramento eletrônico com a locação de mil tornozeleiras e prorrogação dos serviços dos cinco agentes de cadeia pública no 4º e 5º distritos policiais de Londrina, entre outras medidas.
"É claro que a situação não vai se resolver rapidamente, mas é necessária a apresentação de um cronograma de transferência de presos para desafogar as carceragens", disse Ademílson Alves Batista, presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol).
A Seju informou que as transferências de presos das unidades prisionais de Londrina devem se estender até o próximo final de semana.

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