Rio, 10 (AE) - A Petroquímica União (PqU) pretende começar a produzir e vender gasolina e gás liquefeito de petróleo (GLP) três meses depois que a Agência Nacional de Petróleo (ANP) autorizar as três centrais petroquímicas do País a fabricar combustíveis. A ANP afirmou que poderá sair em 15 dias a portaria que abre às centrais esse mercado de combustíveis derivados de petróleo, hoje explorado na grande maioria pela Petrobras e, em menor escala, pelas refinarias privadas de Manguinhos e Ipiranga.
As centrais petroquímicas usarão como matéria-prima os solventes que não são aproveitados hoje. Desde maio, de 30 mil a 40 mil metros cúbicos do "excedente" de solventes das centrais - no total, 50 mil metros cúbicos, de acordo com a ANP - são vendidos à Petrobras, por determinação da própria agência. "O volume de combustíveis oferecido no mercado não será alterado, já que a produção apenas mudará de mãos, mas proporcionará um aumento de receita às centrais petroquímicas", disse o diretor-superintendente da PqU, Edson Eden dos Santos.
Mensalmente, a PqU vende às refinarias cerca de 10 mil metros cúbicos - 7 mil toneladas - dos produtos de líquidos e gases que a empresa não aproveita para usos nobres. O preço cobrado é o mesmo da nafta, de aproximadamente R$ 280 por tonelada.
A PqU já vem conversando com a ANP há cerca de quatro meses sobre a liberação da produção de combustíveis. Segundo Eden dos Santos, a origem do pedido são as acusações de que os solventes estavam sendo usados para adulterar gasolina. "Se alguém compra o produto como solvente e mistura à gasolina, não sabemos", explicou. "Se nós utilizarmos o solvente para produzir gasolina, não haverá mais o produto no mercado".
A Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene) só irá se pronunciar depois que a medida for regulamentada, e a Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) afirmou, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que falará sobre o assunto na segunda-feira.

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