candidato do PPS à Presidência da República no ano passado, disse que o Banco Central deve estar ``torrando' as reservas cambiais para segurar a cotação do dólar no teto da nova banda cambial. Ciro avalia que será muito difícil o governo segurar a saída de dólares do País. ``Agora é acompanhar o fluxo cambial dos próximos dias, se continuar saindo acima de US$ 600 milhões por dia, não tem mais jeito, haverá uma nova desvalorização e aí acabou', afirmou Ciro. ``O Brasil está no meio da rua, em um cenário de faroeste, piscou o olho e vai levar bala', declarou o ex-ministro.
Ciro Gomes, o presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), o presidente do PV e candidato à Presidência da República pelo partido no ano passado, Alfredo Sirkis, e o deputado Fernando Gabeira (PV- RJ) divulgarão uma nota convocando todas as forças políticas do País a abrir diálogo e fazer uma coesão nacional para vencer a crise. ``A urgência e gravidade do ataque especulativo exigem celeridade na resposta e coesão nacional', diz a nota que submete à discussão quatro sugestões emergenciais para enfrentar a crise: 1) controle temporário dos fluxos de transferência de divisas pertencentes a brasileiros para o estrangeiro; 2) negociação pactuada do perfil da dívida interna de maneira a obter prazos e custos mais razoáveis, permitindo imediata redução das taxas de juros de curto prazo e dos insuportáveis encargos deste sobre as contas públicas da União e dos Estados e municípios endividados; 3) oneração temporária expressiva dos gastos com turismo no estrangeiro, inclusive dos gastos de brasileiros com cartões de crédito no exterior; 4) valoração aduaneira de uma lista de importações supérfluas de maneira a desestimular gastos em dólar que não possuímos.
A nota também sugere três providências de médio e longo prazos: 1) que o governo encaminha ao Congresso Nacional no início da proxima legislatura (1º de fevereiro) uma proposta de reforma tributária e fiscal que leve em conta, com a devida ênfase, a necessidade de recelebração do pacto federativo em franca desagregação, e a desoneração da produção, transferindo a tributação para o consumo; 2) que o Congresso se sensibilize para a necessidade de deliberar esta proposta em seis meses; 3) que o governo e as forças políticas brasileiras assumam com a Nação o compromisso de debater um novo projeto nacional de desenvolvimento sustentável que se baseie na elevação da poupança interna e não nos fluxos de capital estrangeiro especulativo, que busque uma integração ativa do Brasil com o mundo, que fortaleça o mercado interno, que garanta aos trabalhadores elevar a sua participação nos frutos da renda nacional (salário mínimo e participação nos resultados), que promova políticas públicas de geração de emprego e renda, que busque alinhar o Brasil no debate sobre uma nova ordem mundial, propondo controle internacional dos fluxos de capital especulativo e facilitação do livre trânsito dos trabalhadores por sobre as fronteiras nacionais. A iniciativa da celebração desse pacto, segundo a nota, deve ser do presidente Fernando Henrique Cardoso.

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