PPS diz que defender impeachment de FHC é erro político
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sexta-feira, 28 de maio de 1999
Por Adriana Fernandes 
Brasília, 29 (AE) - O PPS divulgou hoje nota oficial condenando a iniciativa dos outros partidos de oposição de propor o impeachment do presidente Fernando Henrique Cardoso em função das denúncias de interferência no processo de privatização da Telebrás em favor do banco Opportunity. Na nota oficial, o PPS qualifica a proposta de impeachment de "extemporânea", "ingênua" e um "grosseiro equívoco" que desacreditam a oposição.
"O impeachment é um instituto limite da democracia no presidencialismo, que não pode ser banalizado e nem se converter em bandeira de agitação da oposição contra o governo." Para o PPS, o impeachment do presidente da República só cabe como atitude extrema e como resposta a crimes de responsabilidade "inquestionáveis". "No caso específico do grampo, por todos os títulos lastimável e escandaloso, esse crime ainda não está caracterizado", diz a nota, que foi divulgada depois de reunião
em Brasília, da Executiva do PPS com os presidentes dos diretórios regionais do partido.
O PPS defende ainda na nota a união dos partidos de oposição para o que chamou de "Diálogo Nacional", movimento em torno de projeto de desenvolvimento nacional capaz de garantir o sucesso nas eleições municipais do próximo ano e uma vitória nas eleições presidenciais em 2002.
"Antecipar o pedido de impeachment, antes de qualquer conclusão de uma CPI sobre o envolvimento do presidente nas denúncias, é um erro político", disse hoje o presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE). "A CPI é exatamente para apurar a comprovação das denúncias", disse Freire. Segundo ele, grave também é a fragilidade do governo e do "poder nacional" com os grampos telefônicos. "É quase um poder clandestino", afirmou, acrescentando que há suspeitas de participação de agências de inteligência estrangeiras no episódio dos grampos.
O líder do PT na Câmara, deputado José Genoíno (SP), disse que um movimento em torno de uma projeto da esquerda para 2002 não é contraditório com "o dever da oposição" de investigar as irregularidades e apresentar uma representação com denúncia de crime de responsabilidade contra o presidente Fernando Henrique. "Não adiante o PPS fazer uma declaração olímpica, e não fazer nada para viabilizar a CPI", criticou o líder petista. Segundo ele, a representação contra o presidente não é extemporânea porque há uma "fato jurídico concreto", que é a interferência do presidente no processo de privatização favorecendo um dos concorrentes.
O líder do PC do B na Câmara, deputado Aldo Rebelo (SP), também criticou a posição do PPS. Para ele, o PPS está defendendo o diálogo das oposições para justificar a sua decisão de não apoiar o impeachment ao lado dos outros partidos de esquerda. Rebelo ressaltou que o PPS também foi contra o pedido de impeachment do presidente Fernando Collor.


