Nova York, 15 (AE-AP-DOW JONES) - O índice de preços ao produtor (PPI) nos EUA registrou em setembro sua maior alta em nove anos, subindo 1,1%, segundo informou hoje o Departamento do Trabalho. Os números ficaram muito acima da expectativa média de 15 analistas consultados em sondagem Dow Jones/CNBC, que esperavam uma variação positiva de 0,5% (+0,5% em agosto, +0,2% em julho).
O núcleo do PPI, que exclui a variação sazonal dos preços de energia e alimentos, subiu 0,8%, acima da expectativa de alta de 0,5% em setembro (-0,1% em agosto; variação zero em julho). A aceleração do PPI reflete, principalmente, o reajuste de 9,5% dos cigarros, enquanto o preço do tabaco subiu 8,4%. A indústria tabagista tem aplicado vários reajustes, ao longo do ano, para arrecadar recursos para o pagamento de US$ 206 bilhões em indenizações para 46 Estados.
Os números desfavoráveis sobre a inflação nos EUA ampliaram a tensão causada pelas declarações do presidente do Fed ontem à noite, levando os principais mercados a operar em forte baixa no exterior. O índice futuro S&P 500, que normalmente sinaliza a provável abertura dos negócios na Bolsa de Nova York, chegou a cair quase 2,4%. O juro dos T-bonds de 30 anos atingiu 6,366% na máxima. Às 11h15 (de Brasília), o S&P recuava 2,05% e o juro dos T-bonds de 30 anos subia a 6,330%. O dólar ampliou suas perdas, especialmente em relação ao euro, que ultrapassou a barreira de US$ 1,09. No mesmo horário, o euro estava em US$ 1,0899, abaixo da máxima em US$ 1,0910. As Bolsas européias também caíram fortemente. Segundo divulgou o Departamento do Trabalho mais cedo, o PPI subiu 1,1% em setembro
contra expectativa de elevação de 0,5%. O núcleo do índice avançou 0,8%, mais que a alta de 0,5 % esperada pelo mercado.
Analistas consideram que diante das demonstrações recentes de contínuo aquecimento da economia e a forte alta no PPI há grande possibilidade do Fed elevar os juros em sua próxima reunião. Eles observam que, embora as preocupações com o bug do milênio reduzam a possibilidade do Fed alterar os juros, não devem ser suficientes para evitar um aperto na política monetária se necessário.

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