Brasília, 20 (AE) - O PPB considerou injustificáveis as críticas do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), à decisão do partido de fazer com que dois secretários do Estado de Santa Catarina reassumissem seus mandatos na última quarta-feira, com o objetivo de aumentar a bancada do partido. A operação foi feita com os deputados Eni José Voltolini, licenciado para ocupar a secretário de Saúde, e Leodegar da Cunha Tiscoski, que estava na de Transportes e Obras.
Com esta atitude, o PPB conseguiu manter a proporção necessária para continuar com as duas comissões da Câmara que preside atualmente, as de Fiscalização e Controle e a de Agricultura. A crítica feita por Bornhausen foi dirigida ao ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. O senador entendeu que Dornelles usou sua condição de ministro para que os dois secretários reassumissem os mandatos, o que fez com que os seus dois suplentes, do PFL, se afastassem da Câmara, reduzindo a bancada pefelista. Bornhausen disse que a operação não trouxe ganhos para o PPB mas trouxe benefícios indiretos para o PSDB, que se tornou a maior bancada da Casa.
O deputado Ricardo Barros ( PR), vice-líder do governo na Câmara e vice-presidente do Diretório Nacional do PPB, defendeu Dornelles, garantindo que todas as movimentações do partido foram negociadas com os líderes aliados e com os governadores. O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), teria sido informado sobre as mudanças. "Não entendo por que o senador Bornhausen atacou o ministro Dornelles, talvez tenha sido por falta de participação no processo", minimizou.
Barros também rebateu a avaliação de que o PPB beneficiou indiretamente o PSDB. Em primeiro lugar, ele informa que o PPB agiu para manter as duas comissões que ocupa, pois corria o risco de perder uma delas. Por isso negociou com o governador do Distrito Federal, o peemedebista Joaquim Roriz, a volta de seus dois secretários, Jofran Frejat (Saúde) e Wigberto Tartuce (Trabalho), substituindo seus dois suplentes, do PMDB.
Como a mesma coisa foi feita em Santa Catarina com os dois deputados do PFL, Barros acha que a operação foi neutra para os dois partidos aliados. E afirma que dois votos a mais não garantiriam a maioria ao PFL, pois o PSDB continuaria mantendo a maioria, por causa do bloco formado com o PTB. Barros lembra até que o PFL retirou um deputado do PPB, Salomão Cruz (RR).
O deputado avaliou que a proposta do PFL para superar a crise na base aliada, de manter a atual distribuição de comissões apesar da mudança nas bancadas, é um tema que exigirá muita discussão. E já adianta que, se o assunto vier à mesa, o PPB vai querer trocar a comissão de Fiscalização e Controle, ocupada pelo deputado Delfim neto (PPB-SP), pela comissão de Trabalho. Assim, o partido ficaria com as comissões que tratam dos mesmos temos dos ministérios ocupados pelo partido.

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