PPB quer "rediscutir" programação e reportagens da TV Câmara
Por Flávio Mello
São Paulo, 16 (AE) - Uma parte da bancada do PPB na Câmara Municipal de São Paulo quer rediscutir a programação e traçar uma diretriz das reportagens produzidas pela TV São Paulo - mantida pelo Legislativo paulistano. A proposta vai ser formalmente apresentada amanhã (17) pelo vereador Miguel Colasuonno (PPB) e faz parte da estratégia para recuperar a imagem da Câmara, que, segundo pesquisa InformEstado é péssima para 77% da população.
Colasuonno promete apresentar requerimento à Mesa da Câmara para que todos os presidentes das Comissões Permanentes se reúnam e discutam a programação da TV São Paulo. O pepebista quer que os programas sejam produzidos sob a orientação dos integrantes das Comissões Permanentes, para que a população seja informada sobre os trabalhos da Casa. "A TV São Paulo não pode funcionar como uma televisão comercial e divulgar apenas fatos negativos à instituição, até porque é mantida e paga pelo Legislativo", justificou Colasuonno. Ele acredita que a TV da Câmara tem dado prioridade aos vereadores da oposição, em detrimento da bancada governista.
"Não estou propondo que inventem nada, mas mostrem que a Câmara trabalha muito e a produção não está limitada ao plenário", disse o vereador. Ao responder se a medida não poderia ser interpretada como ato de censura, Colasuonno foi taxativo: "Não é censura, mas a TV da Câmara não pode mostrar apenas o lado negativo, tem de mostrar também o produtivo e quem não for um bom vereador aparecerá naturalmente". A proposta de Colasuonno deve ganhar adesões.
O vereador Wadih Mutran (PPB) disse que concorda com a proposta de seu companheiro de bancada. O líder da bancada do PPB, Paulo Frange, disse que a TV São Paulo melhorou muito desde o início das transmissões, mas há um entendimento na bancada de que a programação e a pauta - as reportagens a ser produzidas - precisam ser rediscutidas e reavaliadas. Interferência - O vereador e jornalista Ivo Morganti (PFL) disse que não é a contra a discussão dos temas, mas diz que a direção deve ser exercida por profissionais da área. "Se quiserem discutir, tudo bem, mas o Miguel (Colasuonno) não entende nada de televisão", afirmou Morganti. A líder da bancada do PT, Aldaíza Sposati, disse não concordar com nenhum tipo de censura ou supervisão prévia da pauta, mas acha importante discutir a forma de valorizar mais o trabalho das Comissões Permanentes. "O perigo está na eventualidade de tentarem direcionar a programação para limpar a barra desse ou daquele vereador", alertou Aldaíza. TV - O diretor da TV São Paulo, jornalista Sérgio Fernandes da Costa, afirmou hoje que a emissora sempre esteve e está aberta a todas as opiniões dos vereadores. Costa lembrou que, apesar de serem bem recebidas, não significa que serão acatadas por uma questão técnica. O eventual risco de alguns vereadores do PPB tentarem direcionar a programação da TV São Paulo, na opinião de Costa, é muito perigoso para a própria imagem da Câmara Municipal. "É evidente que a TV São Paulo não vai atacar a Câmara, mas acredito que qualquer tentativa eventual de interferência a ponto de não mostrar isso ou aquilo será muito prejudicial para a instituição", argumentou.
Costa disse que as afirmações de que a TV São Paulo estaria privilegiando a oposição não é procedente, porque sempre buscou-se o equilíbrio. Um exemplo citado pelo diretor da emissora foi um debate recente, no qual haviam dois vereadores do PPB, um dos quais o vereador Miguel Colasuonno, e apenas um da oposição. "Acho que a transmissão da CPI dos Fiscais, por exemplo, foi uma prova de transparência da Câmara Municipal e, consequentemente, dos vereadores e não prejudicou em nada a imagem a instituição".
A TV São Paulo é mantida pela Câmara, que contratou a Fundação Padre Anchieta para fornecer os equipamentos. A Câmara produz as reportagens e os programas, mas as imagens são geradas por um equipamento da Assembléia Legislativa e transmitidas pela TVA - empresa de transmissão a cabo. O custo atual é de R$ 188 mil por mês.





