São Paulo, 30 (AE) - O PPB adiou hoje a formação da comissão especial que analisará o parecer da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre o processo de impeachment do prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN). O partido é o único que não indicou os dois representantes para participar da comissão da Câmara Municipal.
O presidente da Câmara, Armando Mellão (PMDB), deu prazo de até terça-feira (04) para que o partido apresente os dois nomes. Caso o partido não faça a indicação, o presidente da Casa irá nomear dois vereadores, que não serão necessariamente do PPB.
No meio da sessão, o PTB indicou o vereador Natalício Bezerra para representar a legenda na comissão. Segundo o líder do PTB, José Amorim, Bezerra foi um nome de consenso.
Vereadores governistas confirmaram a versão de que o Executivo e parte da bancada da situação tentarão encerrar as investigações na fase da Comissão Processante (CP). Segundo um governista, que pediu para não ser identificado, os articuladores políticos do Palácio das Indústrias tentarão adiar ao máximo a formação da comissão especial para ganhar tempo.
"Vários vereadores já foram chamados lá (no Palácio) para conversar", afirmou o parlamentar. Segundo ele, os aliados de Pitta têm de agir rápido, pois, caso o parecer seja aprovado pela CP, dificilmente será rejeitado em plenário. Para a criação de uma CP contra o prefeito, são necessários 33 votos abertos. A comissão especial pode também decidir pelo arquivamento.
Nos bastidores da Câmara, a comissão está sendo chamada de "camicase" ou "suicida". É que, na visão dos parlamentares, apenas os sete membros da comissão especial pagarão o ônus político, caso tenham de rejeitar o pedido da OAB. Os vereadores que foram escolhidos pelos partidos negam a articulação.
O vereador Ivo Morganti (PMDB) disse que leu o documento da OAB, mas ainda não pode emitir uma opinião. "Ainda estou analisando", disse Morganti, que afirmou ser amigo de Pitta.
Morganti votou a favor do Executivo na maioria dos projetos enviados à Câmara Municipal. Mesmo assim, afirmou que não teme a pressão da opinião pública sobre o assunto. "Vou fazer tudo de uma maneira serena e não tenho medo da pressão da opinião pública ou do Palácio das Indústrias", afirmou o peemedebista.
Para outro membro da comissão, Gilson Barreto (PSDB), as denúncias apresentadas pela OAB são consistentes. "O caminho para a comissão processante já está aberto", disse Barreto. Para ele, é inadmissível uma articulação política para encerrar as investigações. "Eu não acredito em suicídio político dos integrantes e não vou admitir qualquer articulação", garantiu o tucano.

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