Brasília, 21 (AE) - O ex-prefeito Paulo Maluf (SP) deverá ser obrigado a deixar a presidência nacional do PPB na próxima terça-feira (25), quando a executiva do partido deverá se reunir em Brasília. No programa nacional do partido, que foi ao ar na noite de quinta-feira, Maluf fez críticas ao desempenho do governo Fernando Henrique Cardoso, do qual o partido faz parte. A executiva do PPB deverá votar uma moção de censura sobre a postura de Maluf, que incluiu sua fala no programa sem comunicar aos demais integrantes da executiva o conteúdo crítico.
Por isso, a participação de Maluf no programa acabou pegando de surpresa os principais caciques do partido. O partido apoiou a reeleição do presidente e participa do governo com dois ministros: Francisco Dornelles (Trabalho) e Francisco Turra (Agricultura). "Maluf não pode usar o horário eleitoral gratuito do PPB para extravasar seus recentementos e suas frustrações", atacou o ministro Francisco Dornelles. "A agressão não foi ao governo mas sim ao partido."
Durante o programa, Maluf acusou o governo de não estar resolvendo o problema do desemprego, área de responsabilidade da pasta do Trabalho, comandada por Dornelles. "Ele não tem mancômetro; falta ao Maluf ética e educação política", disse o ministro.
Além do desemprego, Maluf cobrou no programa soluções para o problema da segurança pública e questionou o governo sobre o destino do dinheiro arrecadado com a privatização das estatais e usado para o abatimento de dívidas. "Ele não teve postura, tanto que chegou a usar termos chulos como cassino e roleta", avaliou Dornelles.
A fala de Paulo Maluf acabou destoando do resto do programa, no qual os principais caciques do partido fizeram elogios ao governo. Hoje mesmo, o vice-presidente do PPB, deputado Ricardo Barros (PR), enviou uma carta ao próprio Maluf, convocando a reunião da executiva do partido.
"Vamos tomar medidas rígidas, já que ele usou o programa e a estrutura do partido para tomar uma posição pessoal", disse Barros. "Ele criou um constrangimento desnecessário", completou o deputado paranaense. A proposta de afastamento de Maluf da direção do partido, com uma moção de censura, deverá ser apresentada pelo deputado Eurico Miranda (PPB-RJ).
"Se existe uma questão pessoal e regional, dele com Covas, Maluf tem que tratar do assunto num fórum adequado", rebateu o líder do PPB na Câmara, deputado Odelmo Leão (MG). "O que ele fez, pegou muito mal, até porque o PPB é governo", completou Odelmo. Até o ministro da Agricultura, Francisco Turra, soltou nota oficial para criticar o episódio. "Ao ser convidado para participar da gravação do programa do partido, desconhecia que ele conteria ataques ao governo do qual fazemos parte", escreveu Turra. "Não devemos, não podemos e não queremos ser oportunistas de plantão", continuou. "Se o senhor Paulo Maluf agiu com sentimentos ou ressentimentos pessoais, deveria manifestar-se, apenas e abertamente em caráter pessoal", alertou Turra.

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