Brasília, 12 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso poderá diminuir o espaço do PPB no Ministério para compensar o PMDB pela provável demissão do ministro da Justiça, Renan Calheiros. Depois de uma reunião do presidente na noite de domingo com membros da equipe econômica, o vice-presidente Marco Maciel e o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (SP), que durou seis horas, a alternativa de se criar um Ministério do Desenvolvimento Regional para ser entregue ao PMDB perdeu força. Esse ministério, caso fosse criado, poderia retirar da esfera do Ministério da Fazenda o Banco da Amazônia (Basa) e Banco do Nordeste do Brasil (BNB). O ministro a ser sacrificado para atender ao PMDB seria o da Agricultura, Francisco Turra (PPB).
Além disso, o novo ministério iria contrariar a lógica da reforma, que é a do enxugamento da máquina administrativa. Já está praticamente acertada a extinção das Secretarias de Políticas Regionais, ocupada pelo peemedebista goiano Ovídio de Angelis, de Administração, exercida por Cláudia Costin, de Planejamento, atualmente desocupada, e de Comunicação Social, de Andrea Matarazzo, que teria suas funções absorvidas pelo Ministério das Comunicações. Dos quatro partidos que apóiam o governo, o PPB é o que tem a menor bancada parlamentar. Ainda assim, conta com dois ministros, o mesmo número que dispõe o PMDB. Além de Turra na Agricultura, é filiado ao partido o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. O ministro da Agricultura é considerado sem expressão política e incapaz de criar fatos de impacto na mídia por assessores do presidente.
O presidente conversou na semana passada com o ex-governador do Rio Grande do Sul o peemedebista Antônio Britto sobre uma nova composição no Ministério. Britto poderia integrar a equipe de governo, um antigo desejo do presidente de ter um auxiliar voltado para a comunicação com a sociedade.
Não há data prevista para o anúncio da reforma, porque Fernando Henrique precisa amarrar as articulações finais com o presidente do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), que está em férias na Europa. A conversa é considerada indispensável, por causa da saída de Renan. "Eu entendo que o Ministério da Justiça é o ponto inicial da reforma; sem mexer nessa pasta, falham todos os modelos que estão sendo esboçados", comentou presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). "Mas a saída de Renan não significa necessariamente a sua saída do governo", afirmou - após conversar hoje, por telefone, com o vice Maciel.
Bornhausen estava hoje a caminho de Brasília para um encontro com Fernando Henrique, a quem ainda tentaria convencer a ampliar a reforma. "Vai haver uma compactação, mas não na medida que eu gostaria", disse. "Eu entendo que o presidente tem muita margem de manobra para um enxugamento maior", acrescentou, sugerindo a fusão do Ministério da Ciência e Tecnologia com o da Educação, e o da Cultura com o de Esportes e Turismo.
Antes de viajar para o exterior, Jader reuniu-se com alguns do PFL e demonstrou tranquilidade em relação ao espaço do partido no governo. "Se o Ministério mudar, será para que Renan saia com o secretário de Políticas Regionais, Ovídio de Angelis", observou um dirigente do PFL.
Uma das poucas definições é que não há chance de o PMDB ter sua participação no governo diminuída. "Não é hora de o presidente abrir mão de apoios, e a tese de se governar com uma maioria menor e mais sólida é falsa", disse o líder do governo, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), que descartou a possibilidade de qualquer anúncio de mudança nesta semana.

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