PPB não está certo sobre candidatura de Maluf
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segunda-feira, 03 de janeiro de 2000
Por Flávio Mello 
São Paulo, 03 (AE) - A eventual candidatura do presidente do PPB, Paulo Maluf, está dividindo os grupos internos do partido, apesar de o ex-prefeito cumprir agendas quase que diárias com lideranças de praticamente todos os bairros da cidade. Os dirigentes do PPB estadual entendem que Maluf é o candidato "natural e ideal" da legenda, mas a ala ligada ao conselheiro político e empresário Calim Eid, morto no ano passado, acreditam que ele deve indicar um nome e preservar-se para a sucessão do governador Mário Covas (PSDB).
Os presidentes estadual e de honra do PPB, Adhemar de Barros Filho e Jorge Yunes, admitem ser Maluf o candidato "natural". Barros Filho lembrou que não houve nenhuma discussão sobre possíveis coligações. Yunes, que aguarda a chegada de Maluf em Paris para tentar convencê-lo a retomar as relações com o prefeito Celso Pitta (PTN), aposta que o líder pepebista poderá ser candidato. "O Paulo é um homem de partido e, se for necessário, colocar-se-á à disposição", justificou Yunes. Os assessores políticos ligados a Calim Eid continuam reunindo-se para analisar a situação política paulistana e nacional. Eles entendem que Maluf não deveria arriscar-se numa nova disputa municipal.
Um desses assessores disse que a intenção de Eid era lançar um candidato para disputar a eleição. Para ele, mesmo que Maluf passe para o segundo turno e vença, terá de cumprir todo o mandato. Se não entrar na disputa, o grupo ligado a Eid acredita que Maluf terá mais chance. Apostam que Covas não conseguirá resolver alguns problemas do Estado e Maluf seria beneficiado numa candidatura em 2002.
Alternativas - Enquanto percorre a cidade, Maluf mantém silêncio estratégico e aproveita o tempo para testar nomes. Depois de trazer Francisco Rossi para o PPB e deixar vazar o balão de ensaio sobre a apresentadora Hebe Camargo, Maluf chegou a perguntar a alguns assessores o que achavam de Lair Krahenbuhl
ex-secretário da Habitação e do Desenvolvimento Urbano e responsável por um dos principais programas da gestão malufista, o Projeto Cingapura.
Krahenbuhl confidenciou a amigos ter sido perguntado por Maluf sobre seus planos políticos e disse que pretendia dedicar-se à sua empresa e a planos pessoais. Numa reunião recente, o deputado Delfim Netto (PPB-SP) defendeu o nome de Reynaldo de Barros como candidato caso Maluf fique fora da disputa.
Reynaldo, que ficou magoado por não ter sido indicado para disputar a sucessão de Maluf em 1996, só aceitará se houver um consenso em torno de seu nome. "Se for por exclusão, não quero", disse a dirigentes do partido.


