São Paulo, 11 (AE) - A bancada municipal do PPB indicou no início da noite desta quinta-feira (11) o líder do governo na Câmara, Brasil Vita (PPB), para integrar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Máfia dos Fiscais para evitar que a comissão transforme-se no principal assunto do Legislativo nos próximos três meses. Essa foi a segunda alteração consecutiva na composição da CPI feita pelo PPB nesta semana.
A princípio, a bancada não iria indicar nenhum membro alegando que a maioria dos parlamentares controla politicamente as administrações regionais. Depois recuaram da decisão, indicaram o estreante Alan Lopes e, diante da renúncia pessoal, apresentaram o nome de Paulo Frange.
A indicação era dada como certa até o início da noite, quando os líderes da bancada governistas reuniram-se com o prefeito Celso Pitta (PPB) no Palácio das Indústrias. No início da noite, assessores parlamentares da Câmara informaram que Vita foram indicado pelo partido e o ofício fora enviado para publicação no Diário Oficial do Município.
"O Vita é o melhor nome e o que eu sempre defendi, porque tem amplo conhecimento jurídico e é um dos mais experientes vereadores", afirmou Miguel Colasuonno (PPB). Ele disse, ainda, que da forma como as coisas estão caminhando a Câmara corria o risco de a CPI tornar-se o principal assunto nos próximos meses.
Sintomas de crise -- A primeira vítima das investigações sobre o suposto esquema de corrupção nas administrações regionais foi o secretário de Vias Públicas e Serviços e Obras, Alfredo Mário Savelli. Ele foi indiciado pela polícia e, oficialmente, mantido no cargo por Pitta apesar de ter entregue pedido de demissão. O pedido foi aceito hoje, pouco antes da reunião com os vereadores no Palácio das Indústrias. "Achei estranha a saída do Savelli"
admitiu Colasuonno.
O vereador afirmou que a exoneração de Savelli parece um "sintoma de crise", que também atinge a Câmara Municipal. A bancada governista perdeu hoje a presidência de pelo menos três importantes comissões permanentes da Câmara.
As Comissões de Justiça, Finanças e de Política Urbana serão presididas por vereadores do PSDB e do PT, partidos que, tradicionalmente, são oposição ao PPB em São Paulo. O controle dessas comissões são importantes, porque emitem pareceres favoráveis ou contrários a todos os projetos de lei.
Se houver divergência em relação a alguma medida polêmica, a oposição poderá retardar a liberação dos projetos e prejudicar os planos do Executivo."Vivemos um processo de desarticulação da maioria, o que precisa ser retomado porque corremos o risco de perder o controle da máquina da Câmara em relação à aprovação de projetos de lei", admitiu Colasuonno.

mockup