Brasília, 24 (AE) - O PPB discutirá, em reunião excepcionalmente convocada para amanhã (25), o futuro do presidente nacional do partido e ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, na Executiva Nacional da legenda. Desde que ele usou o programa nacional da sigla na televisão, quinta-feira (20), para fazer críticas ao governo, o afastamento de Maluf da presidência do partido começou a ser exigido por vários correligionários.
Hoje, foi a vez do senador Luiz Otávio (PPB-PA) ir à tribuna para criticar o ex-prefeito, a quem chamou de "mala-sem-alça" e "caixão". "Não é possível que o partido continue a carregar essa mala-sem- alça, objeto de tantas denúncias de corrupção e de nepotismo", afirmou o senador pepebista. Ele foi além, ao pedir a saída de Maluf da Executiva do PPB. "No mínimo, a Executiva tem de licenciar esse cidadão para que aguarde as decisões da Justiça sobre tantos processos contra ele e nos libere de carregar esse caixão, essa mala- sem-alça", insistiu Otávio.
No discurso, o senador paraense fez uma cobrança à Executiva do PPB para que se posicione sobre o comportamento de Maluf diante do governo. "Temos de tomar uma decisão, se somos governo ou oposição", disse o senador. "Se somos oposição, não devemos participar do governo; se somos governo, não podemos fazer discurso de oposição", defendeu Otávio, acrescentando que o partido "deve ser da maioria e não de uma pessoa só".
No programa do partido veiculado pela TV, Maluf fez críticas pesadas à política econômica do governo e condenou o processo de privatizações, cujo dinheiro teria sido usado integralmente para pagar juros. Criticou ainda o desemprego e a falta de segurança, e disse que o governo brasileiro criou um "cassino financeiro". As críticas de Maluf irritaram principalmente aqueles que integram a equipe do presidente Fernando Henrique Cardoso, como os ministros do Trabalho, Francisco Dornelles, e da Agricultura, Francisco Turra.
Também na Câmara o constrangimento foi geral e cresceram as pressões para que o partido tome uma posição mais clara com relação ao governo e abomine as críticas feitas por Maluf. O vice-líder do PPB na Câmara, Gerson Peres (PA), também integrante da executiva, refletiu o sentimento de boa parte da bancada. "Temos de colocar as coisas nos eixos: o Maluf não é dono da legenda; ele vai ter de dar explicações sobre o que fez", cobrou Peres. A executiva decide hoje se Maluf vai estar com o partido no almoço marcado para quarta-feira (26) com Fernando Henrique.

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