Agência Estado
De Brasília
O Plano Plurianual (PPA) obrigou o governo a rever as metas de reforma agrária. Segundo o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Nélson Borges, o valor dos investimentos em reforma agrária no PPA ficou R$ 2 bilhões abaixo do que os técnicos haviam proposto e o número de famílias assentadas vai ficar menor. O governo espera assentar cerca de 70 mil famílias por ano, até 2002, contando com os recursos do Banco da Terra e com as mudanças do processo de descentralização. A meta era de assentar 80 mil famílias por ano, somente com os recursos do orçamento.
‘‘Vamos assentar umas 70 mil famílias por ano se a descentralização funcionar’’, disse. Este ano, no entanto, fica mantida a meta de assentar 80 mil famílias. Segundo Nélson Borges, a área técnica do Incra queria R$ 6 bilhões para os próximos três anos e o PPA reduziu o valor total para R$ 4 bilhões. ‘‘Isso não é corte’’, argumentou. ‘‘É uma restrição orçamentária.’’
Borges afirmou que o governo trabalha com a perspectiva de reduzir ainda mais os gastos com compra de terra. Outra expectativa é que os Estados comecem a aplicar mais recursos diretos na reforma agrária, com maior intensificação da descentralização. O presidente do órgão lembrou que Pernambuco, mesmo não sendo um dos Estados mais ricos, está investindo em reforma agrária.
O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse ontem que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vai perder ainda mais apoio da sociedade civil se insistir nos saques organizados no Nordeste. Jungmann afirmou que pesquisas feitas pelo ministério no ano passado mostraram que o apoio ao MST caiu de 60% para menos de 30% no ano passado, quando foram feitos vários saques na região. ‘‘Os saques são uma tentativa errônea do MST de produzir fato político em cima de um problema social’’, disse o ministro.
Segundo Jungmann, o líder do MST em Pernambuco, Jaime Amorim, não pode pregar saques de caminhões e a supermercados do Nordeste, sob pena de prejudicar pais de família e pequenos comerciantes. Ontem, o ministro ainda não havia recebido informações oficiais sobre queimadas supostamente causadas por sem-terra, em fazendas no sul do Pará. Segundo informou, serão firmados convênios entre os ministérios de Política Fundiária e Meio Ambiente visando proteger a natureza.

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