Madri - Após seis meses de impasse político, eleitores espanhóis voltaram às urnas ontem para eleger seu próximo governo. Com 90% das urnas apuradas, os resultados, porém, apontavam ontem à noite para um cenário semelhante àquele que, em dezembro, obrigou esse país a repetir o pleito. O conservador PP (Partido Popular) venceu as eleições elegendo 137 deputados, um incremento de 14 assentos em relação aos 123 de 2015. O PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol, centro-esquerda), em segundo lugar, terá 85 cadeiras, em comparação com as 90 recebidas em dezembro passado. O terceiro colocado, a coalizão de esquerda Unidos Podemos terá 71 assentos, no lugar dos 69 que o Podemos havia reunido anteriormente. O partido Cidadãos, que estreou nas eleições de dezembro como um importante ator político, sofreu uma importante derrota, reduzindo seu número de deputados de 40 para 32.
A vitória do PP não significa que o partido governará a Espanha. A formação do governo é um complicado processo no país, pois é necessário acumular 176 assentos para chegar ao poder - uma cifra que nenhum dos partidos consegue reunir sozinho. Isso significa que as lideranças políticas terão de, mais uma vez, negociar. Diante do mesmo desafio, em dezembro, os quatro principais partidos fracassaram e foi necessário convocar as novas eleições. É uma perspectiva desanimadora, e pode ajudar a explicar a baixa participação no pleito, de 69%, uma das mais baixas na história local.
Na atual situação, a Espanha não pode renovar seu Orçamento, e o investimento público está congelado. Mariano Rajoy (PP) mantém seu cargo de primeiro-ministro, em exercício, enquanto durar o processo eleitoral.
O novo Parlamento deve ser inaugurado em 19 de julho. A partir de então, o rei deve reunir-se com os representantes dos partidos e escolher um deles para tentar formar um governo. Como ocorreu após as eleições de dezembro, os líderes negociarão entre si para decidir quem será o próximo premiê. Se quiserem evitar o impasse do último pleito, precisarão chegar a novos acordos. Dois meses depois da primeira tentativa de formar governo, novas eleições poderão ser convocadas.

mockup