Belém, 15 (AE) - Os 16 mil moradores das 74 comunidades que vivem nos 650 mil hectares da reserva extrativista Tapajós/Arapiuns, em Santarém, no oeste do Pará, estão debatendo como utilizar e extrair os recursos naturais da floresta amazônica sem devastar o meio ambiente. As famílias da região vivem da pesca, caça, artesanato e coleta de frutas, látex e castanha. Agora, aprendem com técnicos do governo federal e entidades não-governamentais (ONG) seus direitos e deveres para evitar ações predatórias contra as matas e rios da reserva, a maior do País em população.
A reserva foi oficializada em novembro do ano passado, através de decreto assinado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Para o engenheiro agrônomo Nivaldo Martins dos Reis, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Sustentado das Populações Tradicionais (CNPT), órgão subordinado ao Ibama, as discussões tem sido "excelentes e com ótimo aproveitamento".
Reis contou que em três assembléias realizadas no dia 12 nas comunidades de Cametá, Parauá e Surucuá compareceram cerca de 800 pessoas. Até o final desta semana serão feitas outras assembléias nas comunidades de Prainha, São Pedro e Anã. As famílias, segundo Reis, podem continuar fazendo o que sempre fizeram, mas devem rejeitar qualquer iniciativa que provoque desmatamento ou poluição de rios. Os técnicos do governo estão estimulando a criação de animais como capivaras, caititus e quelônios em cativeiro.

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