Povo sonha com R$ 37 milhões da MegaSena
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quarta-feira, 22 de setembro de 1999
Por Rosa Bastos 
São Paulo, 23 (AE) - Caso ganhe os R$ 37 milhões acumulados da MegaSena, dinheiro suficiente para comprar seis mansões no Jardim Europa e 2.750 automóveis, o pernambucano José Carlos da Silva, de 27 anos, só pensa em fazer uma coisa: voltar para Caruaru, sua terra natal. "Isso aqui não é lugar de se viver, não", disse o rapaz, que trabalha em uma madeireira e ganha R$ 200,00 por mês. "É tanta violência que dá até medo de sair."
Há mais de 40 anos em São Paulo, e "acostumada à agitação" a baiana Deise Maria Oliveira, de 56, garante que "com uma grana dessas", jamais voltaria a Jacobina, onde nasceu. "Ciscar mato nunca mais." Além do mais, já esteve em sua cidade, em junho, visitando os parentes. "Vou passear bastante, mas no exterior, em Portugal." Auxiliar de enfermagem
ela atende em domicílio e não se queixa da vida. "Não quero riqueza, beleza nem luxo, só me distrair", contou. "Mas se ganhasse um dinheirão faria um seguro de saúde para quando ficar velhinha."
Há sete semanas ninguém consegue acertar as dezenas da MegaSena. Por causa do prêmio acumulado, o movimento nas casas lotéricas deve aumentar muito nesta sexta-feira e, principalmente sábado, quando se encerram as apostas para o concurso 186, às 19 horas. "Deixam sempre para a última hora", observou Cleuza Ferreira Silva, gerente de uma casa lotérica. Ela prevê filas.
Não se depender do motorista de ônibus Matusalém Rios Magalhães, de 39 anos. "Ninguém consegue ganhar esse jogo, é muito difícil." Durante meses, ele tentou todas as semanas acertar na MegaSena apostando os mesmos números. "Nunca acertei mais do que duas dezenas", disse. "Aí, parei." Agora, aposta só de vez em quando e na Quina, com mais chances, acredita.
Mesmo sonhando só quando dorme, a dona de casa Fátima Maria da Silva, de 40 anos, três filhos, vai fazer uma fezinha amanhã (24), depois de uma reunião com o marido para decidirem, juntos, quanto podem gastar. "Sei que é muito dinheiro em jogo mas não sonho de olhos abertos." O paulistano Alexandre Molnar Filho, faxineiro, de 42 anos, permite-se sonhar: "Quero um sítio, no meio do mato, bem longe daqui."
De passagem por São Paulo, onde veio entregar uma carga de cerâmica, o caminhoneiro Jailson Batista Correia, de Santa Catarina, não tem idéia do que fazer com o dinheiro que espera ganhar. De caminhão novo não precisa porque o dele ainda está bom, na "meia-vida", como disse. Viagens nem pensar, porque enjoou de estrada e tem medo de avião. "Vou construir um conjunto habitacional de luxo!"
Uma casinha própria estaria bom demais para o servente de pedreiro Noemi Mares de Almeida, 36 anos, há um em São Paulo e já "doido para voltar". Mora em Santo Amaro, com a mulher e os três filhos, mas não suporta a saudade da mãe e da "parentada toda" que ficou em Vitória da Conquista, na Bahia. Trabalhava na roça de café. "Vim caçar um jeito de vida, mas antes tivesse ficado lá." Além de tudo, sente frio demais. "Parece que vou enregelar."


