Povo fica sem entender manobras militares
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segunda-feira, 11 de outubro de 1999
Por Ivana Moreira 
Capitólio, MG, 11 (AE) - Uma gente simples e pouco instruída recebeu com surpresa os policiais militares enviados pelo governador Itamar Franco (PMDB), que chegaram com alto-falantes, panfletos e banda de música. O assunto, a defesa da Hidrelétrica de Furnas, tomou conta das rodas de bate-papo nas praças e nos botequins. Mas poucos moradores compreendem o que está acontecendo na região.
"O governador está errado, completamente errado", diz a dona de casa Margarida Veríssimo, de 64 anos, que passou toda a vida em Piumhui, uma das nove cidades à beira da represa. "Meu filho que mora em Ribeirão Preto (interior de São Paulo) me explicou que, se ele interditar Furnas, todo mundo lá no Sul vai ficar sem luz." Bastam cinco minutos de conversa com Margarida para perceber que o excesso de informações se embaralhou na cabeça da mineira. O governador é, na verdade, o presidente Fernando Henrique Cardoso. E interditar que dizer privatizar.
O enfermeiro Sebastião da Costa, de 47 anos, ouviu dizer qualquer coisa nos jornais. Admite que pouco se importa com o assunto desde que tudo continue como está. "O presidente está errado, eu acho", pondera.
"Mas é besteira do Itamar arrumar confusão porque, se o presidente quiser, ele faz; é ele que manda." Costa confessa que está mais preocupado com a venda de drogas que acontece à luz do dia, bem perto da sua casa. "Se sempre tivesse tantos policias quanto hoje, não acontecia essas coisas." Acostumados a visitar a região famosa pelas belas quedas dágua, turistas de outras partes de Minas Gerais e também de outros Estados se espantaram com o imenso efetivo policial nas rodovias. A advogada Cristina Moreira, de 29 anos, e o marido Cássio Moreira
de 32, ficaram sem entender quando chegaram a Capitólio. O casal saiu de Taubaté, no Vale do Paraíba (SP), seguindo a recomendação de uma revista de turismo. "Não sabia que isso aqui era uma área militar", espantou-se a advogada. "Esse Itamar gosta de fazer barulho com suas artimanhas, mas arruma pouca solução."


