Londres - A rainha-mãe Elizabeth da Inglaterra, falecida sábado aos 101 anos de idade, e cujo féretro foi levado ontem a Westminster para receber uma homenagem nacional, teve um reinado curto, mas uma carreira real muito longa e que a grande maioria dos britânicos considera exemplar.
O cortejo fúnebre saiu do palácio de Saint James rumo ao grande Hall de Westminster, onde o povo poderá dar adeus à rainha, até o dia de seus funerais, na terça-feira. O féretro foi levado em uma carruagem da King’s Troop Royal Horse Artillery, puxada por sete cavalos. O ataúde estava coberto pela bandeira pessoal da falecida, sobre a qual foi depositada sua coroa, enfeitada com o célebre diamante Koh-i-Noor (leia texto abaixo).
Em torno da carruagem, seguiram representantes de diversas unidades dos três exércitos e vários membros da família real, entre eles os netos da rainha, os príncipes Charles, Andrews e Edward e o visconde Linley e a princesa Anne.
Um tiro de canhão por minuto foi disparado enquanto o cortejo avançava. No total, uma salva de 28 tiros de canhão saudou a passagem do féretro da rainha-mãe.
Elizabeth Bowes-Lyon nasceu no dia 4 de agosto de 1900, em uma família da alta aristocracia escocesa. Em 1923, casou-se na abadia de Westminster com Albert, duque de York, futuro George VI, com quem teve duas filhas: Elizabeth, nascida em 1926, atual rainha da Inglaterra, e Margaret, nascida em 1930.
A celebração de seu centenário, em agosto de 2000, permitiu avaliar a popularidade da rainha-mãe, que com os anos se tornou no último símbolo de uma certa idéia da monarquia herdada do esplendor vitoriano, estável e prestigiada, embora não moderna.
No final da vida, essa brilhante imagem foi um pouco empanada por documentários que fizeram dela o retrato de uma mulher de poder, muito de direita e bastante egoísta.
Apresentada como símbolo de probidade moral, teria optado porém pela política do avestruz, com a conduta de sua própria família, em particular a relação do príncipe Charles com sua amante Camilla.
A imprensa dava conta ainda de seus gastos suntuosos em excesso e de sua firme oposição a qualquer modernização da monarquia.

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