Povo bombardeado sonha com a paz
Belgrado, 08 (AE-ANSA) - Após quatro dias e quatro noites de calma, na noite de segunda-feira (08), os habitantes da capital iugoslava "descobriram que a guerra não terminou". As sirenes de alarme precederam em alguns minutos os aviões da Otan e as explosões dos mísseis contra a refinaria de Pancevo e o aeroporto militar de Batajnica.
Alívio, medo e esperança se alternam no povo que segue confuso na frente da televisão pelas poucas notícias sobre um acordo iminente entre militares na Macedônia e o fim da guerra.
Frente às dificuldades de um acordo diplomático, a Otan não abandona a presa e mantém a pressão militar. Na noite de ontem e durante todo o dia de hoje, prosseguiram os ataques contra Kosovo, principalmente na região sudoeste, na fronteira com a Albânia. Dezenas de mísseis foram lançados contra as regiões de Prizren, Decani e Stimlje.
Os bombardeios continuaram ao meio dia de hoje contra o monte Pastrik, que marca a fronteira com a Albânia, onde houve, durante o dia, violentos combates entre soldados sérvios e separatistas albaneses do Exército de Libertação de Kosovo (ELK).
Hoje, fontes da Otan disseram que centenas de soldados sérvios poderiam ter morrido em um bombardeio de B-52 feito hoje pela Otan, que lançou bombas de fragmentação contra um local onde havia entre 400 e 800 soldados. O desmentido da notícia foi imediato. "Não há mortos entre os soldados sérvios", disseram fontes contactadas em Pristina.
Dois dias atrás, a televisão sérvia anunciara que o "exército iugoslavo matara 500 terroristas albaneses que, apoiados por aviões da Otan, tentavam entrar em Kosovo". Segundo a televisão
"a ofensiva chamada Flecha, da qual participavam 4.000 homens, fracassou e o inimigo sofreu grandes perdas".
O general Vladimir Lazarevic disse à televisão sérvia que, segundo os comandantes de suas unidades, "prossegue uma violenta agressão vinda do território albanês com apoio aéreo da Otan".
"Novas tropas terroristas, com membros do exército albanês e equipes especiais da Otan, tentam entrar em nosso território", disseram os militares iugoslavos, garantindo que "resistiram ao ataque e infligiram grandes perdas ao inimigo".
Segundo a agência iugoslava Tanjug, o general Lazarevic disse aos soldados que "serão tomadas todas as medidas necessárias nas Nações Unidas para deter a agressão contra o país".
É a primeia vez, desde o início da guerra, que o exército iugoslavo admite dificuldades tão circunstanciais. Isto ocorre enquanto em Tabanovce se está esgotando o tempo para um entendimento sobre a saída e o deslocamento de tropas internacionais.





