Rio, 20 (AE) - Os pousos e decolagens de aviões em todos os aeroportos do Brasil deverão estar suspensos entre às 23h45 do dia 31 e 0h15 do dia 1.º para evitar problemas decorrentes do bug de 2000. "A decisão final sairá esta semana, mas o mais provável é que, por precaução, não tenhamos tráfego aéreo nesse período", informou hoje o sub-diretor-técnico da Diretoria de Eletrônica e Proteção ao Vôo (DEPV), brigadeiro Paulo Roberto Cardoso Vilarinho.
O objetivo é evitar o tráfego aéreo no momento mais crítico, a virada de 2000. "Nenhum avião irá decolar nesse período e não haverá nenhuma aterrissagem prevista, mas, se alguma aeronave precisar pousar, isso ocorrerá sem problemas", ressalvou Vilarinho. Caso muitos vôos sejam cancelados pelas companhias aéreas por falta de passageiros, não haverá necessidade de se tomar a medida, uma vez que o tráfego estará muito reduzido. Seja por medo do bug ou por causa dos preços altos dos pacotes turísticos, o fato é que boa parte das pessoas está desistindo de viajar na véspera de 2000.
Dos 462 vôos previstos para decolar entre às 21 horas do dia 31 e às 6 horas do dia 1.º, 168 foram cancelados por falta de passageiros. "Historicamente, há uma diminuição nas viagens nesse dia, mas, este ano, o porcentual de cancelamentos está 10% acima da média", informou o presidente da Comissão do Bug do Departamento de Aviação Civil (DAC), brigadeiro Francisco Mesquita. "Não temos pesquisas aqui, mas levantamentos feitos nos Estados Unidos mostram que as pessoas têm medo de voar nessa data." O cancelamento dos vôos é apenas uma das medidas do plano de contingência elaborado em conjunto pelo DAC e pela DEPV para a virada do ano. Outra decisão é aumentar o tempo entre as decolagens de aviões que voarão na mesma rota e na mesma altitude. Normalmente, esses aviões decolam em intervalos de três minutos. A partir das 20 horas do dia 31, o intervalo será de 15 minutos. "Além disso, reduziremos o número de rotas em 12% e separaremos algumas para serem usadas em sentido único - e não em mão dupla, como costuma acontecer", explicou Vilarinho.
Na noite do dia 31 e na madrugada do dia 1.º, seis aeroportos militares estarão à disposição dos aviões para pousos de emergência. Os pilotos também não deverão enfrentar falhas de comunicação com os aeroportos. "Caso aconteça qualquer problema externo que interfira nas comunicações, os pilotos poderão falar num sistema chamado alta frequência, que independe de problemas no solo", contou Vilarinho.
Cerca de 500 especialistas do DAC e do DEPV estarão de plantão na virada do ano. Os 190 aeroportos brasileiros e as 53 empresas de transporte aéreo que operam no País tiveram um prazo até 31 de outubro para adequar os equipamentos e elaborar um plano de contingência. Os aeroportos, por exemplo, terão autonomia para funcionar durante 48 horas, mesmo que o fornecimento de água e energia entre em colapso em função do bug. Do total de empresas aéreas, apenas duas não apresentaram relatórios e não poderão voar: as Transportes Aéreos Bacia Amazônica (Taba 1) e Belém Amazônia (Taba 2).
Os dois brigadeiros ressalvaram que estão se preparando para o bug desde 1997 e que não deverá ocorrer nenhuma falha na virada. "Os testes não detectaram nenhum problema operacional"
afirmou Vilarinho.
Os únicos erros que surgiram, segundo eles, foram nas datas de alguns relatórios de meteorologia e de centrais telefônicas - o que é contornável por meio de uma alteração na data. "O único incoveniente de viajar na virada do ano é perder a festa de revillon", garantiu Vilarinho.

mockup