Brasília, 6 (AE) - A caderneta de poupança continuou perdendo depósitos em junho. Segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central, a poupança apresentou captação líquida negativa em R$ 1,4 bilhão no mês, a maior perda registrada até agora no ano. Nos primeiros seis meses do ano, a captação da poupança só foi positiva em fevereiro, quando os depósitos superaram os saques em R$ 791,58 milhões. Até junho, a poupança acumulou uma captação líquida negativa de R$ 2,69 bilhões.
Segundo a área técnica do Banco Central a perda verificada em junho não deverá se repetir a partir deste mês. Na avaliação dos técnicos a poupança perdeu os grandes investidores não tradicionais, que se aproveitavam da enorme volatilidade da taxa durante o mês. Isso deixou de existir justamente no mês passado, depois que a Taxa Referencial de Juros (TR), base de remuneração da caderneta de poupança, passou a obedecer a uma nova fórmula de cálculo.
"Pode parecer contraditório, mas foi a queda da volatilidade da taxa que provocou a saída dos grandes investidores para outros ativos", explicou um técnico. De acordo com a área técnica do BC, enquanto no mês de maio, quando vigorava a fórmula de cálculo antiga, a taxa de volatilidade da poupança foi de 21%, em junho a variação média foi de apenas 0 03%. Pelos números do BC o rendimento da poupança variou, em maio, de um máximo de 1,27% a um mínimo de 0,57%. Em junho o maior rendimento da poupança foi de 0,86% e o menor 0,73%.
A saída de recursos da poupança beneficiou, num primeiro momento, os Fundos de Investimento Financeiros (FIFs) de 60 dias. Pelos dados do BC a captação líquida dos FIFs de 60 dias em junho, até o dia 29, foi positiva em R$ 3,54 bilhões.
Além da poupança, a saída significativa de investidores ocorreu no Fundo de Renda Fixa Capital Estrangeiro, que deixou de ter isenção de Imposto de Renda a partir do dia 1º deste mês. Este fundo registrou, até o dia 29 de junho, saída líquida de recursos superior a R$ 1,1 bilhão.

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