Poucos velam Castor no Rio
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sábado, 12 de abril de 1997
Agência Estado 
Arquivo Folha/AE
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ContraventorCumprindo prisão domiciliar, o bicheiro Castor de Andrade morreu sexta-feira, aos 71 anos, de parada cardíaca no Rio de JaneiroRIO - Poucas pessoas velaram, na madrugada e manhã de ontem, o corpo do contraventor Castor de Andrade, que morreu sexta-feira de parada cardíaca, aos 71 anos. Ontem pela manhã, o bicheiro Aniz Abraão David, o Anísio, foi o único integrante da cúpula da contravenção a ir à quadra da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, em Bangu, na zona oeste do Rio, onde Castor estava sendo velado.
Na noite de sexta-feira, enquanto a família de Castor providenciava a remoção do corpo do hospital, na Lagoa, Zona Sul, para a quadra da escola de samba, a segunda mulher do bicheiro, Ana Cristina Bastos Moreira, de 37 anos, teria arrombado o cofre do apartamento do contraventor. Segundo o advogado Wilson Lopes dos Santos, que registrou queixa na 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana), Ana Cristina, acompanhada de dois casais de amigos roubou jóias, US$ 65 mil em dinheiro e uma nota promissória de R$ 110 mil.
Isso é uma baixaria, esta mulher é uma ladra, reclamou Paulo Andrade, filho de Castor, durante o velório. Como o pai, Paulo Andrade foi condenado, na Justiça, a seis anos de prisão, por formação de quadrilha. Segundo relato dos empregados que estavam no apartamento de Castor na hora em que Ana Cristina chegou, ela e os amigos levaram também eletrodomésticos, como TV e videocassete, dois telefones celulares, duas garrafas de uísque e 40 fitas de vídeo. A perícia policial comprovou o arrombamento da porta do quarto do bicheiro e do cofre.
O advogado Wilson Lopes dos Santos afirmou que Castor e Ana Cristina estavam separados e há três meses ela mora em São Paulo. O casal havia feito um acordo de pensão e guarda dos dois filhos. A entrada de Ana Cristina teve autorização prévia de Paulo Andrade, porque ela alegara que iria buscar os filhos. Castor de Andrade não se separou legalmente da primeira mulher, Vilma, que herdará metade dos bens do bicheiro. A outra metade será dividida entre os quatro filhos, dois de cada casamento.
Castor morreu por volta das 18h30 de sexta-feira dentro de uma ambulância, a caminho do Prontocor. Ele jogava biriba na casa de uma amiga, no Leblon, zona sul, quando começou a passar mal. O bicheiro sofria de miocardiopatia dilatada, doença que causa inchaço no coração e é vulgarmente conhecida como coração de boi. Cumprindo prisão domiciliar, ele estava impedido de sair de seu apartamento, no Leme, zona sul, mas desobedecia sistematicamente a determinação judicial, segundo seus vizinhos.
Há muitos anos, Castor ocupava a direção da cúpula do jogo do bicho, que agora deverá escolher o novo capo. Com Ana Cristina, 34 anos mais nova, ele viveu 17 anos e teve uma relação conturbada. Depois do rompimento, Ana Cristina deu uma entrevista em que acusou o ex-companheiro de homicida e revelou que era costume dele subornar autoridades. A nota promissória que Ana Cristina teria levado entre os bens recolhidos na casa de Castor, referia-se à venda de um apartamento onde o casal morou, no Leblon, e que, já no fim do casamento, pegou fogo, num incêndio de causa duvidosa.
O corpo do bicheiro foi levado para a quadra da escola de samba que apadrinhava, a Mocidade Independente, que foi ornamentada pelas bandeiras de todas as escolas do Grupo Especial do Rio. A maioria delas tem como patronos membros da cúpula da contravenção. O enterro do bicheiro ocorreu ontem às 17h, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, zona oeste.


