Brasília, 31 (AE) - A demissão de Orlando Villas Boas do cargo de assessor especial da Fundação Nacional do Índio (Funai) ainda não havia sido anunciada oficialmente hoje pelo presidente da instituição, Frederico Marés Filho. Nem mesmo os assessores do ministro da Justiça, José Carlos Dias, sabiam da exoneração.
O sertanista Apoena Meirelles, filho de Francisco Meirelles, um dos contemporâneos dos irmãos Villas Boas, parecia não acreditar na notícia. "Foi uma forma deselegante, já que o governo tem uma grande dívida com os Villas Boas", disse Meirelles. Segundo ele, Orlando e seus irmãos, Cláudio (que morreu em 1998) e álvaro (falecido há quase duas décadas), sempre se dedicaram à causa indígena. "Era uma questão de coragem (naquela época), enquanto hoje é uma coisa exótica", diz.
Meirelles disse que teve hoje uma longa conversa com Orlando Villas Boas. "Ele não está questionando o dinheiro do cargo, mas a forma pela qual foi informado", afirma. "Além disso, cortar o salário que Orlando ganhava, de R$ 1.300, não vai resolver o déficit do Brasil", protesta.
Burocracia - Também assessor da Funai, o índio Marcos Terena não critica a direção da fundação. Mas reconhece que Orlando Villas Boas é hoje o indigenista brasileiro mais conhecido no exterior. "Aparentemente, ele estava exercendo uma função incompatível administrativamente", disse Terena.
Segundo Terena, que integra a Comissão da Organização das Nações Unidas (ONU) para a causa indígena, a demissão de Villas Boas é típica da administração do governo. Ele lamenta que essas questões sejam tratadas de maneira fria e burocrática, sem o devido reconhecimento dos méritos das pessoas. "Isso não ocorre apenas na Funai, mas em todos os órgãos públicos", diz Terena.

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