Poucos candidatos chegaram atrasados
São Paulo, 21 (AE) - Além da abstenção pequena também foram poucos os candidatos que chegaram depois do fechamento dos portões. Nos prédios da Universidade de São Paulo (USP), um dos locais de exame da capital, os amigos Kennedy Carlos, de 20 anos
e Sidnei Barbosa, de 23, foram as exceções. Eles tentaram se precaver e foram no sábado verificar o local da prova, mas hoje pararam para almoçar no caminho para o exame, já dentro do câmpus, e acabaram se perdendo. Chegaram ao prédio da Escola Politécnica poucos minutos após o fechamento da porta. Kennedy, que trabalha como motoboy, e Sidnei, como mestre-de-obras, estavam desolados. Queriam prestar vestibular para letras.
No prédio da Faculdade de Economia e Administração (FEA)
ninguém chegou atrasado, mas Patrícia Leite de Miranda foi praticamente empurrada para dentro do prédio por um funcionário da organização. A dez minutos do fechamento da porta, ele estava mais aflito do que a estudante e insistiu para que ela se despedisse do namorado e entrasse. "Estou tranquila, já estou numa faculdade, não quero fazer outra graduação", disse Patrícia, que estuda Direito na PUC e tenta o vestibular para economia. "Quero fazer pós", disse.
Espera - Mãe de candidato também sofre. Sandra Fuga e o marido Rinaldo acompanharam a filha Adriana, de 18 anos, ao local da prova e, mesmo depois de a estudante entrar na sala, fizeram questão de esperar até que o portão fosse fechado antes de ir embora. Com outra filha estudando Química na USP, eles já estão acostumados ao estresse de "pais de vestibulanda". "Com a outra filha foi pior, agora já estamos mais tranquilos", disseram.
Um dos primeiros a sair da sala, Ricardo Wagner Melllo, 19 anos, vestibulando de Educação Física, achou a prova boa e estava confiante. "Acho que dá pra passar para a segunda fase"
disse ele, que cursou o ensino médio em escola pública e não fez cursinho. Depois de parar de estudar para criar os filhos, Solange Rodrigues Carvajal, de 40 anos, voltou à escola há três anos e hoje prestou vestibular para artes plásticas. Ela só achou difíceis as provas de Física e Química, matérias das quais não gosta, mas acha que foi bem em Português e Inglês. Embora já trabalhe como artista plástica, ela acha que a faculdade é importante. "Estou correndo atrás do prejuízo", define. "Mas se não der certo tento de novo no próximo ano."
A vestibulanda Muriel Lopes também teve dificuldade na prova de Física. "Chutei bastante", disse Muriel, que presta vestibular para Turismo, um dos cursos mais disputados, com 71 candidatos por vaga. No ano passado, como treineira, ela passou para a segunda fase, mas não foi fazer a prova. "Dessa vez não vou perder", garante.





